Crise na Odontologia
A crise da Odontologia vem ocorrendo em face de vários fatores que não foram combatidos. Por exemplo, a criação indiscriminada de faculdades de Odontologia sem o mínimo de critério. Hoje o Brasil é o país que mais tem escolas de Odontologia e o maior número de dentistas em relação à população no mundo. Daí, decorre a demanda exagerada de profissionais que o mercado não absorve. Outro fator que há de se considerar é a redução dos índices de cáries em função do avanço social e, principalmente, dos efeitos extraordinários da fluoretação da água o que inegavelmente foi o maior benefício no combate à terrível doença.
O avanço científico e tecnológico é algo extraordinário o que desqualifica qualquer tentativa em afirmativas de retrocesso. As técnicas ortodônticas, os implantes totalmente dominados talvez sejam o maior avanço do século passado. As resinas fotopolimerizáveis transformaram a estética odontológica em nossa grande vitrine. Os problemas decorrentes do ordenamento comercial levantados pelo respeitável colega Fernando Massi no artigo ''Retrocesso da Odontologia brasileira'' (Espaço Aberto, 26/09), portanto não são pertinentes.
O que verdadeiramente está em fase de avacalhação é a disputa voraz por um mercado exaurido. Grupos mercantilistas se aproveitam do excesso de profissionais montando verdadeiras lojas de Odontologia - associados a programas de rádios e televisões e até a presença de figuras notórias da política - com a finalidade de engambelar as pessoas simples a recorrer às clínicas nem sempre com comportamento ético.
Quando se tenta vender a qualquer custo um plano odontológico a R$ 17 por pessoa, com uma carga de cobertura hoje exigida pela Agência Nacional de Saúde, só um milagre ou uma manobra muito bem urdida viabilizará esses contratos em detrimento do surrado consumidor. Portanto, os conselhos federal e regional têm que ter mais atuação e ser ainda mais rigorosos para que nossa Odontologia não entre definitivamente em estagnação.
WALTER COSTA BARROSO é cirurgião dentista em Londrina



Uma só igreja e um só pastor
Isto quer dizer não uma organização religiosa tendo por modelo alguma das existentes; não a figura de um pregador do formato conhecido, mas um só entendimento e um só líder, Deus, o supremo inspirador e o poder que rege todas as coisas. A unificação das religiões acontecerá, e será no decorrer destes próximos séculos (tempo curto em relação à história das religiões conhecidas), e não como resultado de um acordo entre elas - algo impensado - e sim porque os fiéis irão debandando e se aninharão sob a luz de uma nova ordem e de uma mais ampla cosmovisão.
Será um processo natural e espontâneo, que independerá de nome, de líderes terrenos e de regulamentos, mas obedecerá ao comando de uma consciência una e conjunta que emergirá da profundeza essencial de cada um. Em outras palavras, o despertar de algo que subjaz nas criaturas, que é a sua consciência divina ainda não plenamente manifestada. Isto não ocorrerá a um só tempo - porque mentes e corações não estão amadurecidos ainda - mas gradativamente. As religiões perderão seus fiéis e não se sustentarão se não se abrirem para a revelação das verdades, se é que as dominam. Ocorre que elas (que têm forte poder motivador e agregador) não estão respondendo a muitas indagações dos seus adeptos, algumas já explícitas e outras latentes aguardando as brechas de libertação do medo para manifestar-se. Eis que os fiéis mais velhos são muito condicionados, mas os que virão não o serão. Os fiéis é que mudarão as igrejas e não o contrário.
Os que transmigram para outras religiões buscam justamente respostas sobre fenômenos que exigem explicação (e já de domínio de alguns sistemas de crenças), mas que as igrejas tradicionais insistem em ocultar, talvez por desconhecimento ou por não desprender-se de velhos e equivocados fundamentos. Elas incutem no homem que ele é inferior, negam a qualidade dele como ser divino e o enquadram como pecador, sujeito a ''iras de Deus'' e tendo de temê-lo. Falam do amor de Deus, mas o convertem num Deus punidor, capaz de nos impingir pesados castigos e de nos enviar para o ''fogo do inferno''. As pessoas mais iluminadas sabem que este não é o verdadeiro Deus.

WALMOR MACARINI é jornalista m Londrina

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