ESPAÇO ABERTO
Vereadores e mobilização popular
O mês de setembro é o último prazo para que as câmaras municipais decidam sobre o aumento do número de vereadores em várias cidades do País. De acordo com a Proposta de Emenda à Constituição de 2009, em virtude do aumento populacional dos municípios, seria possível ampliar a quantidade atual, em Londrina, de 19 para até 25 vereadores.
Tal proposta ganhou péssima recepção entre a sociedade, sendo que através de votação realizada on-line, a maioria dos populares rejeitou a ampliação. Mesmo a Câmara não chegou a elaborar um projeto sobre o assunto, mantendo para o pleito de 2012 a mesma quantidade de cadeiras disponíveis. No entanto, a recepção da proposta pelo público serve de alerta para alguns pontos em especial.
Em primeiro lugar, a força da mobilização popular. A história do Brasil é repleta de momentos nos quais se percebeu que a organização do povo é capaz de forçar mudanças, de exigir reformas ou mesmo de retirar governantes. Há um certo inconformismo latente dentro do povo que, em situações extremas, pode ser canalizado para sua mobilização. Embora não percebamos ainda isso como o comportamento da maioria, vemos que existe tal possibilidade e que a mesma não pode ser desconsiderada. Existe mesmo, com relação ao assunto que citado no início, um movimento que advoga a diminuição no número de edis, pois não se consegue avaliar a importância de tal número de representantes.
Em segundo lugar, o ano que vai chegando a seus meses finais apresentou ao povo londrinense mostras de descaso, omissão e corrupção, tal como verificado na saúde pública em nosso município. Entretanto, mesmo pagando os impostos e taxas abusivamente altos, temos de conviver com declarações lamentáveis como a do vereador Joel Garcia, que afirma ''que os baixos salários deixam os vereadores suscetíveis a outro tipo de coisa'', da qual depreendemos uma justificativa para a corrupção. Ou seja, um discurso oportunista para ensejar a nova discussão, que versará sobre o aumento de salários dos vereadores, que poderá ser discutido até o final do ano.
Temos claro que o papel do vereador é de fundamental importância para os rumos de um município. É de sua alçada a apresentação e votação de projetos que incidirão diretamente na vida da população. Isso nos serve de alerta para o fato de que muitos cidadãos, ao exercerem o seu direito de voto, prestam pouca ou nenhuma atenção a este cargo, elegendo pessoas sobre as quais nada sabem, entregando o voto e contratando para a gestão de sua cidade pessoas cujo interesse se baseia no ganho próprio, no enriquecimento via cargo público. Esquecem-se, cidadãos e mesmo alguns desses nossos funcionários, que seu cargo presta-se a servir ao município, que sua função prende-se ao bem-estar geral e não apenas ao interesse próprio, com a preocupação de ganhar mais.
Parece esquecer também o vereador do valor do salário mínimo brasileiro, com o qual muitos pais sustentam sua família e que os mesmos não têm o direito de legislar sobre o próprio ganho. Diversos outros profissionais possuem importância comparável à dos legisladores e, mesmo assim, seguem sendo mal remunerados e praticando suas atividades, pois acreditam que trabalham por um bem maior, por algo que devem ajudar a construir.
Que fique para nós o exemplo de Ponta Grossa, onde a aprovação do aumento do número de vereadores gerou uma mobilização da população, através do recolhimento de assinaturas. A sociedade exige agora, além da manutenção do número de representantes, também a limitação dos gastos com a Câmara, mostrando assim a capacidade do povo em exigir de seus representantes maior seriedade e menos descaso com aqueles que lhes deram tal poder.
LUIZ CARLOS FERRAZ MANINI e ISABELA DUTRA DE SOUZA são, respectivamente, professor de História e estudante em Londrina





