Ainda o 11 de setembro

Após 10 anos dos ataques às torres gêmeas do World Trade Center em Nova York, não apenas os Estados Unidos, mas todo o bloco ocidental pertencente ao Tratado Militar do Atlântico Norte (Otan) não estão mais seguros em relação a qualquer atentado ou ato violento. Na verdade, nunca estiveram, mesmo com todo o aparato de segurança interna e suas ações de represália e de contenção aos insurgentes e os inimigos de sempre do imperialismo capitaneado pelos Estados Unidos.
Cabe ressaltar que as atrocidades cometidas contra os povos do Oriente e dos próprios vizinhos latino-americanos durante séculos de expropriações por parte dos centros do poder mundial, comandado primeiramente pela Europa Central e mais tarde pelos Estados Unidos, deixaram marcas profundas de ódio em muitos e sentimento de vingança em outros tantos.
As guerras mundiais que atravessaram a primeira metade do século passado, assim como a intolerância do totalitarismo e do nazifascismo, além é claro, da divisão geopolítica mundial entre Estados Unidos e a ex-União Soviética (Guerra Fria) potencializaram os conflitos na periferia global - caso da guerra entre as Coréias e do Vietnã - e acirraram os golpes militares e as insurgências contra o terrorismo de Estado por parte dos povos violentados pelas superpotências e países aliados da violência institucionalizada.
O antagonismo entre o processo de descolonização e o projeto de continuidade do imperialismo, principalmente a partir da década de 1970 justificaram as invasões ''legítimas'' (autorizadas pela ONU) comandadas pelos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, enfureceram algumas comunidades na África e no Oriente Médio contra os xerifes planetários (EUA e Europa Central - França e Inglaterra particularmente).
Nesse contexto não falar em terrorismo me parece querer não enxergar que o mundo tornou-se um lugar mais inóspito do ponto de vista da convivência cidadã, onde tecnologia e concentração de capital por parte dos endinheirados convive lado a lado com desemprego, esquizofrenia, depressão e violência, além de uma enorme desigualdade social e ausência de perspectivas mais consistentes.
Dessa forma, será possível vencer uma guerra contra o terrorismo? Devemos entender que os Estados Unidos são o grande líder do terrorismo mundial comprovado pelo fato de que os norte-americanos foram condenados em 1986 pela Corte Mundial pelo ''uso ilegal da força'' (terrorismo internacional) e, por isso, vetou essa resolução no próprio Conselho de Segurança da ONU.
Infelizmente, o terrorismo atinge muito mais as pessoas comuns do que seus líderes ou artífices do que podemos denominar de ''terrorismo de Estado e agressão'', assim como foi feito no Iraque e no Afeganistão após os atentados de 11 de setembro. Talvez, esse triste ataque às torres gêmeas sirva de reflexão aos outros ataques cometidos às populações civis inocentes da Nicarágua, Granada e Guatemala nos anos 80 (administração Ronald Reagan e George Bush), Vietnã e Camboja nos anos de 60 e 70 (John Kennedy, Lyndon Johnson e Richard Nixon) e Somália nos anos Bill Clynton, entre tantos outros episódios.
Espero que a população estadunidense compreenda que a verdadeira democracia está ameaçada e há a necessidade de barrar urgentemente o terrorismo provocado pelas nações líderes como premissa básica da sua própria sobrevivência.

MARCELO GONÇALVES MARCELINO é mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná e economista em Curitiba

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