ESPAÇO ABERTO
Educação básica x educação superior
O esforço de instituições de ensino superior públicas para promover sinergia e diálogo permanente com as escolas de educação básica apresenta-se incipiente, à espera de política séria emanada dos detentores do poder.
Aproximar-se das escolas para dar o suporte necessário visando à melhoria do ensino é papel da universidade. Entretanto, não é possível as universidades darem um passo dessa magnitude sozinhas. Órgãos financiadores precisam assumir a educação básica como prioridade de governo, aliás, dever inescusável do Estado, o que é perfeitamente viável, a exemplo de programas como Universidade sem Fronteiras, Novos Talentos e Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor).
Dito isto, deve-se considerar ainda que a articulação das secretarias de Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior configura-se como peça fundamental no estabelecimento de política forte promotora de avanços e sustentabilidade da educação básica.
Aprofundar essa questão é inevitável e inadiável, bem como dar forma a projetos coletivos e programas institucionais voltados à cidadania, que oportunizem a construção de uma educação de qualidade. É bom pontuar que o objetivo maior é a formação do cidadão, mola propulsora em sua vida, fornecendo meios para o sucesso nos estudos e na profissão. Perplexos pelos últimos números que mostram a realidade de aprendizagem dos alunos em provas de português e de matemática, resulta estranha qualquer outra urgência no ensino superior público que não esteja vinculada à produção e à disseminação do conhecimento para professores e alunos da rede básica de ensino.
A partir desse entendimento qualquer órgão governamental deve explicitar a intenção de apoio e o nível de responsabilidade destinados à educação básica, como ocorreu recentemente com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Mesmo diante da superficialidade das discussões e das decisões meramente políticas ou as mais fáceis de serem conduzidas, geradoras de decepções, há que se insistir na reinvenção da educação, com interfaces competentes e ousadas entre ensino básico e ensino superior.
No entanto, isto não é tudo. Os sinais de falência do setor educacional se alastram por outras áreas. Se por um lado, há que se mencionar a caótica situação dos professores da educação básica, com marcas profundas de desvalorização e violência impostas pelos baixíssimos salários, por outro lado, um elemento reivindicatório não pode ser desprezado, que é o aumento do produto interno bruto (PIB) a ser revertido para a educação.
É um imenso desafio que interessa a todos nós. Um desafio que traz embutida uma esperança social de renovação de ideias e ideais. Um desafio que destroça falsos consensos estampados em ações compensatórias, distribuição de bolsas e cotas. Sem dúvida, urge mudanças de gestão institucional, com administradores que não tenham medo de ser diferentes e de fazer a diferença, de tomar decisões e de se pautar pelo pensamento de futuro e de modernidade.
MARIA APARECIDA VIVAN DE CARVALHO é professora na Universidade Estadual de Londrina





