Homo sapiens
Em meados do século 18 o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau sentenciava: ''O homem nasce bom e a sociedade o deturpa''. O homem é um ser gregário por excelência e, portanto, pode absorver tudo de bom ou de ruim que lhe é imposto pelo seu meio. Na metade do século 20, as famílias planejavam suas vidas econômica e financeiramente através de um princípio elementar: podia-se gastar no máximo 70% dos ganhos auferidos. Com a sobra, depois de algum tempo, compravam um terreno em um bairro afastado e devagar iam construindo a ''domingueira'', ou seja, a casa simples era erguida aos domingos com a ajuda de amigos e parentes e com a sobra do salário.
Depois de levantar as paredes e cobrir, ainda sem reboco e no contrapiso, a família para lá mudava e deixava de pagar o aluguel. Essa casa só ficava totalmente pronta depois de alguns anos. Esse procedimento contribuía para que a família não pagasse juros para obter um bem de raiz.
Com o passar do tempo alguns economistas deitaram cátedra sobre novas teorias econômicas e começaram a ensinar que o homem deveria se endividar para obter seus bens de raiz que, por utopia, não pertencem a ele, mas sim ao órgão financiador, até a liquidação da última parcela. Apenas não disseram que, junto com a realização do sonho, seria pago um montante quase igual ao valor do bem à guisa de juros, ou seja: compra-se uma e paga-se duas! E é isso que ocorre numa grande maioria dos casos. Essa teoria criou um dragão que a todos corrompe e devora, uma vez que seu veneno já está inoculado no âmago das famílias modernas.
Ao se tornarem reféns do sistema financeiro, as famílias perdem o poder de fogo na discussão do preço e passam a pagar quantias maiores, e apenas discutem condições de pagamento. Para pagar esses juros, às vezes abusivos e escorchantes, as famílias precisam pautar suas vidas apenas pelo lado econômico e relegam a um segundo plano o lado espiritual. Isso dá sentido ao que foi escrito há quase 3 mil anos e está inserido na Bíblia. ''Eis a única conclusão a que cheguei: Deus fez o homem reto, este, porém, procura complicações sem conta.'' (Eclesiastes 7,30.)
EDSON MEDARDO SCARCHETTI é bacharel em Teologia em Londrina



Dos conceitos de patriotismo
Já escrevi sobre isto no passado e volto a indagar por que - se normalmente não caminhamos marchando - temos de marchar nos desfiles da Semana da Pátria. Pergunto por que não desfilar do jeito que somos, porque a disciplina e o patriotismo não estão nos pés e sim nas mentes. Marcha lembra guerras, porque desfilam também fuzis com baionetas caladas e os tanques de combate, enquanto aviões fazem sobrevoos com mísseis e bombas. Assim é em todos os países de grande potência bélica. Porque os governos ditam esse costume e o povo acaba absorvendo, sem muito questionar. E nós pensando que o sentido de pátria era outro.
Esses desfiles ricos em garbo e sugerindo confrontos, destruição e mortes, deixam intrigados os jovens e os adultos mais conscientes, porque não encontram resposta para isso à luz do tão apregoado ideal de paz e fraternidade universal. As glórias de um povo não deveriam se revelar pelo poder estribado no armamento e sim nas sábias ideias, que resultariam na eliminação das dissidências e conflitos.
Pergunto por que os livros de história, no âmbito das escolas, cultuam tanto os feitos guerreiros e por que o episódio das batalhas é sempre contado a partir do ponto de vista oficial de cada país. Que nunca fala da versão dos denominados inimigos e do que o povo na época achava desses embates sangrentos. Se é história, tem de ser verdadeira e contada por inteiro. Mais que tudo isso, patriotismo é preservar os recursos naturais, eliminar as misérias sociais e exercer a solidariedade.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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