ESPAÇO ABERTO
Uso de anabolizantes e os seus riscos
O uso de anabolizantes por jovens que querem ficar ''fortões'' tem sido cada vez mais frequente, principalmente em academias. Um amigo indica ou mesmo um professor, que desconhece os riscos, oferece e a facilidade para comprar o produto fecha o ciclo dessa triste história. A aparência de um corpo saudável é pura miragem, por trás está uma pessoa doente.
O uso de produtos para animais, como cavalos, têm ocorrido até em adolescentes. O tema tem já é um grave problema de saúde pública. Interessante que estudos mais recentes apontam que o uso de anabolizantes pode prejudicar a saúde de dois importantes ''motores'' do nosso organismo: o coração e seus vasos e o cérebro. A utilização dessas substâncias pode ter uma repercussão desastrosa no sistema cardiovascular. Inúmeros artigos sugerem maior chance de infarto do miocárdio, alterações da coagulação levando a tromboses de veias das pernas e embolia pulmonar, além de alteração dos níveis de colesterol e triglicérides. Do mesmo modo, uso abusivo de anabolizantes pode levar a psicose e comportamento agressivo chegando até o extremismo de maior criminalidade.
O que poucos sabem é de mais dois outros riscos que essas substâncias trazem: a virilidade masculina e câncer. É inegável que os garotos querem se parecer fortões para conquistar as meninas, mas essa busca pode levar a um efeito exatamente contrário. Os anabolizantes são hormônios masculinos sintéticos que absorvem proteínas e retêm líquido e acabam provocando o inchaço dos músculos, dando um aspecto mais masculino aos garotos. Com o uso, ocorre uma diminuição na produção de esperma, impotência sexual, aumento dos volumes da mama, e até retração dos testículos. Infelizmente, o uso de anabolizantes pode também aumentar as chances de câncer no fígado segundo vários relatos. O anabolizante é como álcool em uma fogueira, que certamente vai estimular essas células, que talvez nunca se manifestassem.
FERNANDO MALUF é coordenador da Oncologia Clínica do Centro Avançado de Oncologia do Hospital São José em São Paulo
Sem sentimento de vingança
Nos momentos de inconformismo com as situações adversas e com aqueles que nos causam mal e nos enganam, ficamos impregnados de ódio, mas se não nos vigiarmos podemos incorrer no mesmo erro dos nossos algozes e desafetos, e assim robustecemos a mesma corrente, que se nutre justamente dessas vibrações negativas. Sim, a indignação é inerente à condição humana, e não devemos ficar indiferentes e paralisados, mas não podemos nos deixar dominar pelo sentimento de vingança. Nós sabemos que nosso ímpeto nesse sentido é igualmente violento.
Ao contrário, devemos mudar nossa atitude mental e ter a coragem de orar por esses que nos causam mal - a nós individualmente e à sociedade - no sentido de que aplaquem sua fúria e elevem seu nível de consciência. Se muitos não acreditam que essa transformação possa acontecer, então também não deveriam crer na força das preces e invocações que fazem para suas causas pessoais ou pelos seus mais próximos.
Se oramos pelos nossos filhos que são delinquentes ou que se encontram encarcerados, também podemos fazer isso pelos filhos das outras mães que estão em igual situação. A oração que brota da alma tem vigoroso poder e é capaz de mover montanhas.
A lado das medidas legais, sociais e políticas que devem ser tomadas contra os que atormentam nossos dias, podemos fazer o que raramente fazemos: clamar às forças benfazejas do universo para que os contenham. Essa dispensação resulta salutar para nós próprios, para eles e para a paz mundial.
Os males que nos cercam, próximos ou distantes (e no mais dos casos é a mente e a ação coletiva que os gera), são também uma provação para nós. Orar pelos denominados maus não é capitulação e nem conformismo ou conivência, mas uma tentativa de cura e um ato de amor cristão. Isto resulta em melhor benefício que o ódio e os desejos de vingança.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





