ESPAÇO ABERTO
Crise dos Estados Unidos é mundial
O impasse para a aprovação da elevação do limite da dívida pública dos Estados Unidos que ocorreu nos últimos instantes do prazo que se encerrava no último 2 reflete não apenas a falência da política institucional capitaneada pelo modelo de democracia liberal burguesa como também a própria falência do capitalismo neoliberal.
Mas, tanto a política partidária quanto a economia neoliberal deverão empurrar goela abaixo a sua forma de pensar e elaborar o mundo, conforme os interesses de suas elites nacionais e transnacionais.
O modelo desgastado de democracia bipartidária no caso dos Estados Unidos demonstra bem o quanto o destino de uma nação está refém dos interesses das oligarquias republicanas e democratas, sem que a maioria da população possa participar de alguma forma desse processo, a não ser através de redes sociais e algumas pequenas manifestações de rua isoladas, realizadas pelas minorias mais politizadas da sociedade civil.
Quando se trata de crise econômica a população corresponde de forma mais combativa os ditames do mercado e seu árduo ajuste fiscal, mas de qualquer maneira a grande parte desses manifestantes não compreendem que as relações entre a democracia liberal e a economia financeirizada mundial estão imbricadas.
As crescentes ameaças contra os imigrantes, o racismo e o fundamentalismo religioso estão conduzindo parte da Europa e do Oriente Médio na direção contrária em relação a determinadas possibilidades transformadoras das nações e do próprio sistema econômico e sociopolítico mundial.
Em relação à chamada ''primavera árabe'' a luta está fundamentada a partir da necessidade de mudanças a favor da democracia, mesmo que formal, em oposição a décadas de autoritarismo hereditário e teocracia, além é claro, da luta por melhores condições de vida.
Diante de tanto antagonismo o que deve ser combatido não são os negros, árabes, muçulmanos, latinos no caso dos Estados Unidos e nordestinos no caso do Brasil, mas sim o modelo de sociedade capitalista e pseudodemocrática que vivemos, alicerçado no gasto público enorme para os ricos e migalhas sociais para os mais pobres.
As rivalidades entre as minorias de determinadas comunidades na Inglaterra e na França contra o sistema desigual, dos espanhóis, dos italianos e, principalmente, dos gregos contra o ajuste fiscal macroeconômico imposto pelos grandes na zona do Euro demonstram que a política e a economia formatadas institucionalmente estão saturadas há muito tempo para as classes subalternas.
Os grandes xerifes da economia mundial (financistas e megaempresários transnacionais) que se organizam em fóruns internacionais, como os de Davos na Suíça, não querem reformular o sistema; medida essa, ainda insuficiente para minimizar as desigualdades do paradigma neoliberal mundial, mas certamente são os primeiros a comandar os diálogos com os governos na direção do saneamento do sistema financeiro com dinheiro público e diminuição de gastos com programas sociais.
Mas à medida que as crises se apresentarem cada vez mais frequentes haverá a necessidade de uma organização popular mais ativa e pronta para responder as suas demandas cada vez maiores e complexas nessa desigual aldeia global.
MARCELO GONÇALVES MARCELINO é bacharel em Economia e mestre em Sociologia pela UFPR





