A corrupção não sai do noticiário. Ministérios, agências reguladoras, políticos, juízes, delegados, promotores, servidores, parece que não salva ninguém. Infelizmente, a corrupção no Brasil não chega a ser uma novidade. Somos uma sociedade formada por pessoas que vieram ao Brasil com um único propósito: explorar o país. Madeira, ouro, pedras preciosas, escravos, qualquer coisa servia. Isso durou mais de 300 anos. Os escravos foram vendidos por seu próprio povo e eram trazidos à força para trabalhar, só pensavam em fugir e voltar para sua terra. Os índios, que não entendiam e não se adaptaram a esse sistema de exploração e ganância, foram quase todos dizimados.
O primeiro Banco do Brasil, criado em 1808, administrado por pessoas indicadas por D. João VI, faliu 20 anos depois, devido à má gestão e desvios. A vinda de imigrantes europeus e asiáticos, que buscavam realmente um novo país para morar, trabalhar e formar sua família começou a se intensificar somente a partir do início do século XX. Um erro é achar que a corrupção é algum tipo de exclusividade do setor público.
Na verdade, quem corrompe servidores públicos e políticos são empresários, gente da sociedade. São grandes empresas, com imagem de íntegras e honestas, mas só no discurso e na fachada.
A triste verdade é que a corrupção está bem enraizada em nossa sociedade. A famosa frase do ex-jogador de futebol ''é preciso levar vantagem em tudo'', em uma propaganda de cigarro, reflete uma face da nossa cultura.
A corrupção existe em quase todas as empresas, o que muda é o nível e o controle sobre ela. Se o dono da empresa acha mesmo que seu comprador sempre escolhe os seus fornecedores com base na qualidade e no preço, um dia vai ter uma grande decepção. Desvios e fraudes, dentro de grandes empresas, acontecem com muito mais frequência do que se imagina, simplesmente não são noticiados pela imprensa em geral.
Bem, vamos falar das boas notícias: nos últimos 8 anos; quase 3 mil servidores públicos foram demitidos; nos últimos 10 anos tivemos quase mil políticos cassados; o Tribunal de Contas já tem, on-line, a contabilidade de quase todos os municípios do Paraná; quase todas as prefeituras já possuem controladorias; a criação do Ministério Público, o surgimento de diversas organizações não governamentais, que também ajudam a fiscalizar o governo. Ou seja, apesar de ser apenas um início, já existem algumas ações concretas sendo realizadas para se moralizar um pouco a gestão pública.
Na verdade, a cobertura da imprensa e o advento da internet, dos blogs e das redes sociais tornaram a divulgação dos fatos muito mais rápida e transparente. Está cada vez mais difícil conseguir esconder algo errado. Ou seja, talvez não seja a corrupção que piorou, mas o controle e a divulgação que melhoraram. Bom, agora a má notícia: apesar disto tudo, ainda falta muito para chegarmos aos níveis ''toleráveis'' de corrupção, similares aos países mais desenvolvidos.
Apesar da grande melhora nos sistemas de fiscalização e controle, o nosso sistema judiciário ainda é um gargalo. Lento, complexo, com várias instâncias e inúmeros recursos. Apesar de serem previstos em lei, acabam gerando uma percepção de impunidade. O que nem sempre é verdade, mas como o desfecho dos processos acontece muito tempo depois, fica a sensação de que o crime compensa. O nosso Judiciário e o Legislativo precisam enfrentar este problema e fazer as mudanças que a nossa sociedade tanto precisa. Acabar com a corrupção é, infelizmente, algo utópico e nenhuma sociedade ou país está completamente livre disto. Enquanto houver a ganância e, principalmente, a impunidade, haverá sempre quem queira corromper e quem aceite ser corrompido. Mas se o risco da punição for mais concreto, com certeza teremos bem menos casos estampando nosso noticiário.

DENILSON VIEIRA NOVAES é engenheiro, especialista em Gestão Pública e servidor público municipal em Londrina

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