ESPAÇO ABERTO
Amigos da família
A família é um bem que gera outros bens, como por exemplo, a felicidade da pessoa, o bem comum, a solidariedade, a convivência com o diferente. O capital mais precioso, a riqueza das nações, o tesouro e patrimônio dos povos, é a família. Tudo isso é verdade pelo fato de a família ser lugar de relacionamento humano, de convivência com os outros, de comunicação interpessoal numa ''rede de comunicação'': paternidade, filiação, fraternidade, parentesco, nupcialidade.
O primeiro ensaio das virtudes sociais acontece na vida familiar a saber: a confiança, a cooperação, a alteridade, a comunicação, a partilha. Estes são bens relacionais que promovem a vida social. Quem é amigo da família certamente promove a ''cidadania da família'', seus direitos, sua centralidade, enfim, a ''cultura da família''. A reciprocidade dos sexos e das gerações, a transmissão da vida acontece na família enquanto fundamentada no matrimônio entre um homem e uma mulher.
O primeiro amigo da família é o próprio Criador que exultou de alegria, admiração e contentamento diante do homem e da mulher quando disse ''está muito bom'' (Gn 1,31); A família é uma instituição divina querida por Deus: ''Não é bom o homem estar só'' (Gn 2, 18). Assim, na família se vive a reciprocidade, a complementaridade, a intercomunicação.
Amigo da família é cristianismo, de modo especial, a Igreja Católica em sintonia que outros cristãos. João Batista, foi o primeiro mártir da família e Santo Maximiliano Kolbe, deu sua vida por um pai de família no campo de extermínio nazista. Das famílias a sociedade recebe bons cuidados, bons cristãos, sacerdotes, religiosos e religiosas, além de uma miríade de santos. Todos estes são grandes benfeitores da sociedade.
Amigo da família é todo teólogo que percebe a instituição familiar como projeto de Deus, instituição natural, bem social, comunidade de vida. Portanto, a família é um ''querer divino'' que não é invenção do poder público, nem da cultura, nem do indivíduo. É um projeto de Deus desde o princípio (Mt 19,4). Ainda mais, a família é um fenômeno universal.
Que a família seja amiga de si mesma, que acredite naquilo que ela é, que ela se torne aquilo que deve ser: um grande recurso para a sociedade enquanto é ninho da vida e formadora de cidadãos.
Amigos da família devem ser os governos através de políticas públicas, os meios de comunicação pela transmissão de valores, as escolas que são uma continuação da cultura familiar, sem falar das pastorais e movimentos religiosos. Tudo o que fizermos pela família ainda é pouco.
Revitalizando a família estamos contribuindo para a felicidade das pessoas, o soerguimento da sociedade, a esperança de um novo mundo. O povo brasileiro valoriza mais a família que o dinheiro, o trabalho, a saúde, revelou a pesquisa do Ipea. Como amigos da família faremos do mundo uma grande família.
O Documento de Aparecida afirma que a família é ''um dos eixos transversais da ação evangelizadora''. Na verdade, quando nos referimos aos dependentes químicos, aos encarcerados, aos alunos de nossas escolas, aos doentes dos hospitais, aos catequizandos, etc., essas pessoas têm tudo a ver com a família, com os pais, com a experiência familiar. Os problemas e as soluções dos problemas destas passam pela família. Eis o que se entende por família como ''eixo transversal da ação pastoral''. Portanto, a pastoral familiar deve ter prioridade entre outras tantas pastorais. Esperamos você na caminhada pela família.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina





