ESPAÇO ABERTO
Planalto x planície
Eles fazem as leis para nós. Cadeia não é para eles. Os filhos deles, mesmo não sendo ''Ronaldinhos'', às vezes ganham R$ 50 milhões aos 27 anos. Não é fenomenal? Para eles, esclarecimento significa ocultamento. Nós, empresários, pagamos 10% sobre o FGTS de cada empregado demitido. Isso acontece há mais de 10 anos. Dinheiro para cobrir os planos Collor e Verão. Onde está o dinheiro?
Eles nos impõem impostos abusivos sabendo que muitos não poderão pagar. Por quê? Porque aqueles que sonegam serão ''criminosos'' e terão medo de reações. Eles se esquecem de declarar muitos milhões, bilhões e propriedades. Nada ocorre para eles.
Eles formam partidos para ''fatiar'' o Brasil em capitanias não hereditárias e cada partido fica, no mínimo, com um ministério que arrecada mais ou menos R$ 100 bilhões. Quem arrecada isso? Somente eles. E quando apanhados, perdem apenas o cargo; você perde tudo. Lindo não?
Em Brasília, tucano vira harpia, petista vira autista, PR é partido da rodovia. Para onde? Collor, Sarney, Dirceu, Garotinho, Maluf, Palocci são candidatos. Enfim, a democracia chegou a Bangu II.
O Brasil tem saída? Sim. Ainda não roubaram o Galeão. O jurista Joaquim Barbosa diz que cadeia no Brasil é para negros e pobres. Não é hora de inverter tudo? Brasil: democracia relativa; corrupção absoluta. ''Não se faz política sem mexer com sujeira'', diz Paulo Betti, ator e palpiteiro em política. O problema é que 90% dos políticos comprometem a reputação dos outros 10%.
Soluções? Retirar quaisquer benefícios de criminosos presos que estejam envolvidos com facções criminosas. Assim, evitaremos o comando do mal a partir das penitenciárias. Os impostos não podem ser impostos intimidativos, jamais podem superar certo porcentual do PIB. Exemplo: próximo a 28%.
As penas devem ser mais rigorosas para os funcionários públicos, principalmente para os do primeiro escalão: senadores e deputados têm ''direito'' a penas mais severas, pois não podem alegar ignorância das leis feitas pelo senso comum e não por tendências.
Quando houver ''democracia'' na aplicação das penas, haverá também mais respeito por parte dos pequenos e ignorantes. O mau exemplo das nossas autoridades, além de revoltar, provoca mais crimes. A ONU sugere um embaixador da transparência para alguns países. Concordo. O melhor cidadão (moralmente falando) da nação deve ser o indicado. Deve ser um cargo mais disputado que o da Presidência - alguém muito honrado, neutro, confiável dizendo onde deve haver sindicância. Suspeitos devem ser julgados sumariamente e cadeia imediata.
Sei que muitos estão rindo (por enquanto) dessas sugestões. Entretanto, ou os tempos mudarão ou o Comando Vermelho e o PCC terão candidatos em futuras eleições para Brasília.
Enquanto isso, no País da ''Dilmaquinista'', a juíza Patrícia Acioli é assassinada no Rio de Janeiro. Elementar: ela foi a juíza que mais enviou criminosos ligados às drogas para a cadeia. Essa estreita conexão entre o crime organizado e a brandura demasiada de nossas autoridades preocupa a todos nós. É como se uma organização não admoestasse a outra. Acordo, silencioso, tenebroso e letal para nós.
Claro, a polícia quer que acreditemos ter sido crime passional. Quiseram a mesma coisa no caso PC Farias e sua namorada. Tentam minimizar a enorme sujeira desses crimes. Nunca é queima de arquivo. Admitir isso é admitir certo envolvimento deles. Interessa?
VIRGÍLIO TOMASETTI JR é educador em Londrina





