ESPAÇO ABERTO
E agora, José? O que faremos?
Numa audiência pública sobre o cenário atual do ensino no País ocorrida em maio, no Rio Grande do Norte (RN), a professora Amanda Gurgel abordou um assunto alarmante que deveria ser trabalhado, revisto e tomado com certa cautela: a Educação. Na posição de professora em serviço e futura formadora de professores, responsabilizei-me por cada fala, por cada palavra que ela proferiu.
Nossa Educação vai de mal a pior. Uma nação como a nossa deveria sim se espelhar em países desenvolvidos, se esforçar para transformar nossa população em massa pensante, digna do trabalho que desenvolve, que participa, reivindica direitos e cumpre com os seus respectivos deveres. Claro que esse reflexo em países de primeiro mundo deveria ser feito em partes, porque nem sempre ''a grama do vizinho'' é melhor que a nossa. Temos que ser críticos ao pensar em quais fatores deveríamos nos espelhar, a fim de desenvolvermos nosso potencial, que não é ínfimo, e sim altíssimo, só que infelizmente nosso excelentíssimo governo ainda não se deu conta disso.
Pensemos no Brasil como um todo: o que é realmente valorizado nesta ex-colônia portuguesa? Economia? Complexo industrial? Importação/exportação? Quais foram os assuntos prioritários defendidos por este país, até os dias de hoje? A Educação, com certeza, é que não foi em nenhum dos governos, como disse a professora Amanda em seu depoimento extremamente simplório e objetivo.
Existem três assuntos a se pensar. O primeiro deles é de que a Educação nunca foi prioridade, o governo não se importa mesmo em formar cidadãos íntegros e sim analfabetos funcionais a fim de eleger candidatos, em sua maioria, mal preparados e mal instruídos, para futuramente administrar os assuntos gerais no que diz respeito à população.
Outro ponto é com relação ao professorado. O que nós, como professores, fazemos para mudar nossa situação? Quais são nossos objetivos e prioridades? De nada adianta o indivíduo se graduar em cursos de Licenciatura e continuar no mesmo senso comum: ''Ganhamos pouco mesmo e temos que nos contentar com isso, afinal somos professores. O que podemos fazer?''. Se o pensamento da maioria for esse, de nada valerá pôr a culpa no governo. Pensemos que uma única pessoa não modifica nada por si só, ela necessita de outras pessoas a sua volta, com os mesmos objetivos, com as mesmas motivações, anseios e angústias, para que uma semente seja plantada e, ao mesmo tempo; sedimentada em nossa sociedade.
O terceiro ponto é de cunho social em geral. O que a sociedade pensa da escola? Qual a finalidade dela? O que os pais dos alunos pensam sobre ela? Qual o motivo de frequentá-la todos os dias? Por um acaso é um albergue, onde tenho o direito de matricular meu filho, a fim de que ele tome 5 horas ou mais de seu tempo para que eu possa ter onde deixá-lo quando for trabalhar?
Pensemos em todo o ciclo educacional, como uma cadeia incessante de aprendizado e etapas, as quais todos os alunos deveriam se submeter, a fim de obter um desenvolvimento pessoal e tornarem-se cidadãos do mundo. Ser não houver incentivos governamentais na Educação e, principalmente, um conselho nacional/regional/local significativo dos professores para reivindicarmos nossos direitos, jamais seremos socialmente bem vistos e bem remunerados.
Espero que as angústias, o medo de mudança, e todos os empecilhos não nos tirem o espírito motivador e, principalmente, que a sociedade também se mobilize, pois a Educação não parte somente de nós, professores, e sim de toda a população, que pode e deve pressionar o governo a fim de transformar a sociedade num espaço verdadeiramente democrático e possuidor de uma força social significativa.
MARCELLA BORDINI é mestranda em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina





