ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de julho de 2011
Ivan Frederico Lupiano Dias 
Discutimos recentemente neste espaço sobre os recursos humanos necessários ao desenvolvimento de Londrina (engenharias, em especial); quais engenharias poderiam ser, em um primeiro momento implantadas (Mecânica, Química, Biomédica, Produção) e quais outras estruturas poderiam ser criadas no município (Incubadora, Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, laboratório do Tecpar) visando alavancar de modo mais organizado o desenvolvimento local e regional.
Uma experiência interessante a considerar é a de Bilbao. Esta cidade no norte da Espanha desenvolveu a partir da articulação de suas lideranças políticas, industriais e comunitárias um projeto que a colocou como uma das grandes referências turísticas, econômicas e tecnológicas da Europa. Desse projeto constavam quatro grandes propostas: um aeroporto internacional, um parque tecnológico, um centro de eventos internacional e uma atração turística de destaque internacional, o museu Gughenheim.
Não estamos tão distantes assim de estabelecer objetivos como os de Bilbao. O Aeroporto Internacional já consta de propostas como a do projeto Arco Norte, ao lado do Porto Seco. A pergunta que se faz é: o poder público está atuando junto às lideranças políticas e empresariais locais, de modo sistemático e contínuo, na articulação com instâncias governamentais estaduais e federais para o desenvolvimento dessa proposta? Possivelmente não.
O Centro de Eventos volta de modo mais ou menos frequente ao noticiário, mas a pergunta é a mesma. E a resposta novamente é não. O Parque Tecnológico em tese já existe, mas fora de um contexto de desenvolvimento consistente do ponto de vista tecnológico, mal posicionado geograficamente, ainda não está avançando a contento. E existe forte pressão de determinados segmentos políticos no sentido de se disponibilizar terrenos para empresas que nada agregam em inovação ou tecnologia.
Quanto a esses pontos além da necessidade de desenvolver ações mais sistemáticas, contínuas, articuladas, faz-se urgente a institucionalização de um projeto de desenvolvimento com macroprioridades bem estabelecidas pela comunidade londrinense em geral e o poder público e a definição de uma entidade que possibilite a articulação dos ativos tecnológicos existentes na cidade e região que esteja fora do alcance de uma eventual má ação político-partidária.
Quanto o turismo: o que temos em Londrina (ou em Maringá) que permita pessoas de razoável cultura e condições financeiras, jovens, ou de meia idade, ou da terceira idade, de países como o Japão, Alemanha, Itália, França, Estados Unidos, Canadá ou mesmo países mais próximos, como a Argentina, a enxergarem nossa cidade como uma opção de turismo? Ou turistas de todos os lugares do mundo que vêm a nosso Estado em seu roteiro no Brasil para ver as Cataratas, em Foz do Iguaçu, a incluir Londrina dentro de sua rota? A resposta é: rigorosamente nada! A não ser poucos eventos como o Filo e a Exposição, por exemplo, com duração limitada, o que temos não se destaca em relação ao que qualquer outra cidade brasileira tenha a oferecer em termos de indústria turística.
Londrina não é uma opção turística importante mesmo para pessoas de outros Estados do País. Enquanto o museu Gughenheim, em Bilbao, faz parte do roteiro turístico da Espanha como estrela de primeira grandeza, Londrina não tem nada de significativo em escala semelhante. Essa é uma questão que deveria ser analisada por nossas lideranças políticas, empresariais e comunitárias e pelo poder público municipal em especial.
O turismo é uma das mais importantes indústrias no mundo e deve fazer parte de nossa reflexão a criação de uma atração de impacto que nos permita agregar esta indústria, de modo mais significativo, ao desenvolvimento de Londrina.
IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor do departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina e autor de proposta de criar em Londrina um Polo Tecnológico
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