Modismo na Ortodontia?

Lembro-me há 20 anos a quantidade de dentes extraídos em virtude do tratamento ortodôntico. Um número absurdo e descomunal e, claro, des6necessário. Recordo o quanto era seletivo o tratamento, a Ortodontia era para poucos. Era quase um luxo que poucos podiam desfrutar devido aos altos preços e pela pouca instrução de alguns. Assim também observo quantos tratamentos foram realizados com duração de 5 a 10 anos, quantos dentes foram reabsorvidos em função de aparelhos que exerciam muita força nos dentes.
Quanta dor os pacientes passavam, e na época se tinha a ideia que toda consulta tinha que apertar e quanto mais se apertava, ou seja, quanto mais doía, mais resultados tinham, e lógico, não esquecer que as consultas ao ortodontista eram sempre mensais. Hoje sabemos o quanto a ciência evoluiu. Temos centenas de trabalhos explicando o crescimento ósseo, o qual nos proporciona a intervenção precoce evitando futuras extrações de dentes, e um reduzido tempo de tratamento.
Os primeiros tratamentos dentários eram feitos no chão. Hoje são em confortáveis cadeiras que seguem a ergonomia e que acomodam o paciente. Diziam que ir ao dentista era uma falta de prazer. O tratamento ainda oferecia dor. Porém, o avanço tecnológico tem contribuído para a diminuição disso.
Dominamos técnicas modernas, temos conhecimento profundo de movimentação de dentes, as causas e efeitos. Hoje o ortodontista tem em mãos não só um grande número de pesquisas e trabalhos científicos para ajudá-lo no diagnóstico e planejamento, mas também um aparato de equipamentos de última geração, os quais minimizam traumas, diminuem tempo de tratamento, facilitam a higienização e proporcionam menos dor e incômodo ao paciente.
No início do século XX surgiu o primeiro sistema simplificado de classificação das más oclusões (Classe I, Classe II e Classe III), e que se utiliza até hoje. Este sistema foi criado por Edward H. Angle, talvez o mais famoso personagem da história da Ortodontia e considerado por muitos como o pai da Ortodontia moderna.
Nos anos 50 os bráquetes começaram a ser feitos de aço e surgiram os primeiros fios de aço. Nessa época os exames de raios-X começaram a ser usados como rotina para diagnóstico e planejamento ortodôntico. Lembro quando era necessário encaminhar os pacientes aos laboratórios para fazer documentação ortodôntica. Hoje, o ortodontista já tem seu aparelho radiográfico digital, máquinas fotográficas de última geração, eletromiógrafo para avaliar o estado muscular do paciente, ultrassom para auscultar os ruídos articulares da mandíbula e aparelhos para visualizar os movimentos mandibulares.
Quando se fala em Ortodontia, pensa-se somente em proporcionar um sorriso com dentes alinhados, mas a Ortodontia e a Ortopedia moderna estão além de somente estar nesse predicado, pois sabemos que podemos mudar a forma dos lábios, deixando-os mais volumosos e delineados, aumentamos o queixo, diminuímos o tamanho do nariz, aumentamos o terço médio (maxilar). E, vamos mais longe ainda, pois hoje estamos preocupados não somente com a posição dos dentes, mas sim, onde se encontra a articulação da mandíbula (côndilo), pois se este estiver fora de posição, grandes transtornos serão causados ao paciente.
É claro que cada caso deve ser avaliado separadamente e considerarmos a idade, tipo de oclusão, aspecto facial, crescimento facial, forma dos dentes, etc. Para isso, devemos ser conhecedores dos atuais equipamentos da Ortodontia /Ortopedia e dos benefícios que elas nos trazem, nós ortodontistas ficamos muito a vontade para dizer que não há modismo em relação à Ortodontia, o que existe é ciência, conhecimento científico, indústria de alta tecnologia promovendo qualidade de vida à população.

ALDO PEDALINO é odontopediatra em Londrina

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