ESPAÇO ABERTO
Maconha: 8 a 0. Quem perdeu?
As famílias estão sendo atacadas de todas as formas. Sua importância é renegada ou é discutida com a hipocrisia cotidiana de nossos dias. O preço a ser pago pela sua defesa não é barato, por isso, não há a disposição necessária para o enfrentamento.
O placar de 8 a 0, proclamado no último dia 15, em favor da livre manifestação do pensamento, da liberdade de expressão e dos direitos e garantias individuais dos cidadãos reflete o estágio atual da sociedade brasileira, quando foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal que a ''Marcha da Maconha'' poderá ser realizada e deverá ser garantida a ordem e a paz pelas forças públicas de segurança dos Estados, visando assegurar os direitos dos cidadãos de bem, que defendem a ''maconha'' ou apenas querem manifestar seu pensamento livremente.
É compreensível que esse tema deva ser discutido, mas da mesma forma e com muito mais intensidade deve-se discutir e defender a importância da família como arrimo de uma estrutura que está ruindo. Deve-se, sim, assegurar o direito a livre manifestação do pensamento, mas e o direito à vida, à dignidade da pessoa humana na mais essencial e pura forma de vida coletiva - a família - com a convicção e a expectativa de ver os filhos e filhas do Brasil crescendo e fazendo o país crescer em paz.
A droga, lícita ou ilícita, com o uso criminalizado ou não, não muda a perspectiva de morte precoce.
Muito embora as campanhas preventivas aconteçam, o falso e irreal romantismo da droga, que contagia e seduz com uma força voraz e incontrolável, é verificado na destruição das famílias que estão cansadas do sofrimento provocado pela droga.
Que existam lutas e marchas pela recuperação dos viciados, que se exijam as clínicas de recuperação de acordo com a lei, que a família, a criança e o adolescente sejam prioridade absoluta, e não contrário, que a juventude atual, assim que completar 18 anos, tenha direito a acessar e usar a ''droga da paz'', conforme é a luta e a bandeira de alguns.
Por sinal, são alguns milhares nessa luta chancelada com um elástico placar de 8 a 0, onde os ministros do Supremo Tribunal Federal, guardião maior da Constituição da República Federativa do Brasil, reconheceram o direito dos defensores da Cannabis sativa, a ''maconha''. Direito de poderem ir às ruas gritar e dizer que são a favor de uma substância entorpecente que vicia, mata, mutila e destrói, independentemente da figura do vendedor, traficante ou futuro comerciante legalizado.
É uma opinião. Comedida talvez, mas que contempla muita indignação e repulsa. As causas e as consequências estão aí, são visíveis dentro e fora dos lares brasileiros e do mundo. O pensamento é livre e deve continuar assim. Aprisionados estão os usuários da droga.
Esse embate tem que ser travado por todas as pessoas de bem, que acreditam na família e não querem a destruição que as drogas provocam na sociedade brasileira e mundial. Não bastam as constatações diárias e sangrentas dos efeitos e consequências do uso de drogas, seja a ''maconha'' ou outra qualquer, inclusive o álcool. Que o discurso sobre as drogas seja o de que ela é prazerosa, mas mata e consome as emoções e sentimentos de um ser humano.
''Vamos liberar que resolve.'' Que essa expressão seja tombada pela necessidade de que se radicalize quando a família é ameaçada. O valor da família é extrema, essencial e enormemente superior do que a satisfação egoísta de um prazer momentâneo e mortal.
MARCOS ANTONIO TORDORO é capitão e comandante da 1 Companhia de Polícia Militar de Rolândia





