ESPAÇO ABERTO
O papel da mídia
O século 21 é um conjunto de fatores, resultado de uma sociedade imersa na informação. Que a televisão virou um lugar onde ninguém fala nada com nada, todos já sabiam. O que surpreende é o fato da mesma coisa estar acontecendo em outras mídias tão jovens como o twitter e o facebook.
Essas ''novas'' mídias sociais (twitter, facebook e etc.) estão sofrendo uma constante mutação e tornando-se um elemento fundamental de mobilização de entretenimento, social e político (diga-se de passagem avassalador). O grande desafio é compreender as regras e limites da comunicação, seus usos nos diversos setores, no âmbito público e no privado.
Apenas para o nosso deleite descrevemos uma cena cotidiana: o sujeito tem a ideia de ligar o computador, ler ou assistir a uma reportagem, mas um tsunami de informações invade seu meio. As notícias vêm cheias de rococós, detalhes miraculosos, investigativas, devastadoras, enfim, enfadonhas.
Esse coitado cidadão tem a certeza que chegará em casa, descansará, assistirá uma imprensa ''afoita'' em beneficiar o todo. Bela ilusão! A realidade é outra e bem descarada, sujeitos pagando por espaços na TV ou sendo pagos com salários milionários, ''programecos'' de 20 ou 30 minutos, uma salada de palpites que vão de resultados de jogos de futebol a decisões do Congresso, outros com espaços de (porno)propagandas políticas, que vendem seus partidos promíscuos, suas ''ideologias'', seus interesses, que estão longe de ser de interesse público, mas sim alimentados por seus ''narcisismos'' pessoais.
O mais irônico é vê-los em seus espaços sagrados, com suas ''mãos taumaturgas'', suas opiniões ''indiscutíveis'' dividindo seus minutos de ''fama'' com vendas de planos odontológicos, colchões, sorvetes, promoções, jogos de sorte (ou azar), entre outros.
Mas não são apenas os ''programinhas''. Com todo o respeito às desgraças alheias, basta acontecer uma tragédia, um infortúnio, um desastre, um casamento e, pronto, todos os programas, espaços da TV, rádios, jornais, blogs e internet saem atirando, buscando desesperadamente um furo, uma reportagem inédita, exclusiva, impressionante, ou seja, uma brincadeira de ''roleta russa'' de (pseudo)notícias, um espetáculo de terror.
Ora, qual é o papel da mídia na sociedade democrática? Qual o papel social? A resposta é latente e unânime: o papel deste meio, que é público, é combater fervorosamente a corrupção ao divulgar escândalos que envolvem autoridades, políticos e qualquer um que traga prejuízo à sociedade. A mídia tem um dever de altíssima responsabilidade, dever e obrigação de exercer toda e qualquer informação com transparência, imparcialidade e veracidade. Correndo um sério risco de abalar os alicerces da democracia caso o seu papel seja invertido.
A censura não é uma alternativa cortejada, muito pelo contrário, é a antítese do bom gosto. Todos concordam que a imprensa livre é fundamental para o bom funcionamento da democracia, mas até que ponto as mídias têm o direito de escolher por nós? É preciso discutir essas novas formas de comunicação. Essas questões, outras expressões e impressões também fazem parte do repertório chamado democracia. Ou não?
Já é sabido que não precisamos de mais ''parlatórios'', e sim de discernimento. Mudar de canal? Desligar o computador? Não ouvir rádios? Isso seria o mesmo que pedir para trocar nada por coisa nenhuma. Sugiro a valorização da família, as rodas de amigos, os grupos de estudos, um livro. Àqueles que discordam cito trecho da música do Padre Zezinho: ''Chame a isso de utopia/Eu a isso chamo paz''.
JAILSON URIEL ZANINI é graduando em História pela Universidade Estadual de Londrina





