Thomas Hobbes, filósofo do século 18, um estudioso da natureza humana, dizia que a grande função do Estado é garantir a segurança das pessoas. O homem, sem um Estado forte, volta ao seu estado primitivo. Impera, entre a sociedade, a anarquia, a violência, a lei do mais forte. Não existindo regras claras e quem as faça cumprir, cada um busca fazer o que considera melhor ou mais justo para si mesmo. Um verdadeiro salve-se quem puder.
  Na visão de Hobbes, o Estado deve garantir, antes de tudo, a segurança do seu povo, mesmo que sejam necessárias medidas enérgicas. Segundo ele, com a segurança vem a paz e com a paz vem a prosperidade. Violência é uma coisa, criminalidade é outra.
  A violência, na maioria das vezes, decorre da própria natureza humana. A violência é cultural, valorizada através dos filmes, dos games, do noticiário, da mídia em ge6ral. Dez mil anos de ‘‘civilização’’ ainda não foram suficientes para tirar esta característica do ser humano.
  Criminalidade é um meio de vida. Apesar de acabarem sempre se misturando, violência e criminalidade não são a mesma coisa. Qualquer pessoa pode, em determinado momento, perder o controle emocional e cometer um ato violento. Como também é possível cometer um crime grave, sem o uso da violência.
  Criminoso é alguém que age, de maneira constante e consciente, contra a lei. Normalmente, o criminoso começa com pequenos furtos. Percebe que o risco é baixo e os ganhos são bons. Melhor que trabalhar um mês inteiro e ganhar um salário mínimo ao final. O bandido escolhe, pelas mais diversas razões, o crime como o seu meio de vida. O criminoso sabe o que está fazendo e analisa qual o risco da sua ação.
  Violência se combate com mudanças culturais, com educação, com exemplos. Criminalidade se combate com leis e ações de repressão e de prevenção.
  Neste momento, não adianta ficar discutindo se precisamos tornar as punições mais duras. Precisamos é fazer cumprir as que já existem. Países com baixa criminalidade não são paraísos que só têm gente boazinha, mas são Estados fortes, onde a sociedade sabe que se jogar lixo no chão ou se sonegar impostos será multada e, se roubar, a chance de ser pega e punida é muito grande, independente de quem seja.
  ‘‘Nossos’’ criminosos também precisam saber que realmente serão encontrados e punidos, independente da vítima. A sociedade precisa fazer seu papel, que é o de obrigar o Estado a cumprir com o seu. Como bem definiu Hobbes, uma das principais funções do Estado é garantir a segurança das pessoas.
  Todos os dias pessoas são furtadas ou assaltadas. Em alguns dias pessoas são mortas. Enquanto se discute, alguém pode estar sendo assassinado por causa de um carro ou de uma bicicleta.
  Vivemos, sem exagero, uma guerra mal disfarçada, onde a sociedade, que é maioria, está refém de uma minoria de criminosos. Os pequenos crimes também precisam ser punidos, pois é preciso acabar com a sensação de impunidade e evitar que o criminoso cresça em seus delitos.
  O Judiciário precisar agir com mais rapidez e objetividade. As penas precisam ser cumpridas. É preciso, de imediato, acabar com a sensação de que o crime passou a compensar. O Estado, através da polícia, do Judiciário e do sistema penal, precisa cumprir seu papel e agir, dentro da lei, com toda a sua autoridade e rigor.
  A sociedade, incluindo a mídia, precisa se unir, exigir e apoiar estas ações, por mais duras que possam parecer. Cada um no seu papel. Não podemos mais ficar só discutindo, esperando acontecer a próxima morte.
DENILSON VIEIRA NOVAES é engenheiro especialista em gestão pública e servidor público em Londrina

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