Flexibilização do horário do comércio

Alçada recentemente à condição oficial de metrópole, Londrina infelizmente ainda padece por causa da mentalidade provinciana que paralisa setores essenciais para a cidade, como o comércio. A flexibilização do horário de funcionamento das lojas deixou de ser uma discussão entre os sindicatos patronal e de empregados para se tornar uma discussão estratégica para acelerar ainda mais o crescimento econômico do município. Não estamos falando apenas dos londrinenses, mas de milhares de pessoas que vêm de outras cidades do Paraná e até do Mato Grosso e São Paulo para consumir aqui.
A dimensão que o trabalho ocupa hoje na vida pessoas é muito maior do que antes, restando pouco tempo para outras atividades. O ato das compras é uma delas. Um exemplo disso é o crescente aumento de vendas pelo comércio eletrônico. Estender o horário nos estabelecimentos comerciais geraria mais comodidade para o consumidor, mais faturamento para o comércio, mais empregos e, por consequência, mais riqueza à cidade.
Diante da legislação trabalhista existente, é inaceitável o argumento de que os patrões não cumprirão as obrigações de remuneração para com os empregados. A lei existe justamente para que isso não ocorra. Essa discussão também deve deixar de ser apropriada politicamente, como vem ocorrendo há anos, quando vereadores nos dão a impressão que se isentam de mudar o Código de Posturas para fazer arranjos com o sindicato dos empregados e conseguir votos. O eco por essa mudança de mentalidade já é tão grande, que são os próprios trabalhadores que estão indo às ruas protestar, pedindo autorização para trabalhar, como vimos no caso de uma recém-inaugurada loja de departamentos.
Londrina não pode mais perder investimentos e novos negócios por falta de leis apropriadas. O tempo de cidade do Interior já passou. Agora, urgentemente, precisamos pensar e agir como cidadãos de uma das mais importantes e promissoras metrópoles do Brasil.

VALDUIR PAGANI é publicitário em Londrina




Preces para aplacar delinquentes

Todas as sugestões já foram dadas para combater a bandidagem, a violência em geral, a corrupção e outros desvios de comportamento, mas pouco se pensou em orar pela contenção da impetuosidade dos agentes desses males sociais. Mais policiamento, mais repressão e mais cuidados são medidas pertinentes, porque não devemos ficar indiferentes e imobilizados, mas podemos também nos valer da poderosa sinergia das preces conjuntas com a intenção de que diminua a fúria dos seres violentos e dos que perderam (ou nunca tiveram) noção dos valores humanos.
Pedir pelos bons é uma prática de amor cristão e de solidariedade, mas fazer o mesmo para os que nos causam mal é a parte mais difícil. No entanto, igualmente necessária. A indignação popular é compreensível, e a dor dos que perdem familiares e amigos deve ser sentida e compartilhada, mas se queremos paz temos de buscá-la por via de todos os caminhos lícitos. O poder da oração em favor de uma causa é capaz de mover montanhas, porque, em todos os sentidos, há uma forte corrente indutora das mentes sobre as outras mentes.
Orar também pelos delinquentes não significa tolerar, mas mover poderosa alavanca pela causa da convivência harmônica que queremos e também visando curá-los. Na verdade, falta-nos o hábito dessa dispensação, mas precisamos desatar essa amarra. Preces em conjunto higienizam a atmosfera mental e aplacam os ímpetos da maldade. Então, podemos nos valer de força idêntica em sentido contrário, como diques para deter a intensidade das avalanches do mal. As igrejas, pelo seu poder de mobilização, poderiam deflagrar esse processo.
O amor, de que tanto se fala, não pressupõe apenas agrados e carícias. Bons sentimentos resplandecem luz e podem clarear a visão dos malfeitores. Óbvio que não se pode aplaudir os que roubam, violentam e matam, mas é possível restaurá-los. Esta é uma forma de amar os inimigos, como nos ensinou o Mestre.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup