Educar para a empatia

Considerando o momento atual em que a violência atinge níveis e proporções desconcertantes e a insensibilidade em relação ao outro coloca em debate a própria condição humana, torna-se emergente a reflexão em torno do modelo educacional priorizado.
As preocupações em torno da educação parece terem-se reduzido a meros aspectos técnicos que atendam às demandas do mercado e que consigam traduzir-se em avanços materiais imediatos, desconsiderando-se a formação humana e o desenvolvimento da consciência social.
Essa realidade pode ser atestada desde a mais tenra idade, pelos ambientes familiares indutores de egoísmo e insensibilidade, em que se desconsideram os impactos que cada ação produz na vida do semelhante, como se tudo e todos tivessem como função servirem-nos. A pergunta que se faz necessária é como educar uma criança para que ela se torne um adulto socialmente responsável, capaz de usar os avanços da técnica para o desenvolvimento da sociedade e do bem comum.
O modelo centrado no instrumentalismo para o trabalho, limitado a indicadores de eficiência e de produtividade, está criando uma sociedade desalmada, individualista e egocêntrica, verdadeiros sociopatas, indivíduos incapazes de sair de si mesmos e perceber e acolher o outro.
Nesse sentido, nunca se fez tão urgente o desenvolvimento da empatia, da sensibilidade e do afeto, ingredientes fundamentais de uma civilização sustentável.
A empatia apela para buscarmos nos outros os elementos que nos unem, que são muito mais do que nos separam, é perceber as consequências de cada atitude sobre os demais, é agir com responsabilidade e cuidado. Em outras palavras, não é a técnica que nos conduzirá a níveis civilizatórios superiores, mas sim a capacidade de estabelecermos relacionamentos de qualidade, de buscarmos entender pontos de vista distintos e, principalmente, aprendermos a coexistir.
O propósito de eleger a empatia como elemento prioritário para um projeto de educação comprometido com níveis superiores de sociabilidade, impõe o exercício permanente em entender a condição do outro, seja este um portador de deficiência, um morador de rua ou um homossexual. É saber nos colocar no lugar de empregados explorados e humilhados ou de quem sofre bullying por ser diferente, com a desculpa de uma simples brincadeira inocente. É sensibilizarmo-nos com a necessidade de atenção dos idosos e dos solitários, é tomarmos partido dos humilhados e maltratados pela incapacidade humana de perceber a realidade sob a perspectiva do outro.
O exercício da empatia deve invadir todas as atitudes e práticas do dia a dia, algo que se exerça de forma tão natural e espontânea como respirar. Nenhuma ação deverá ter lugar sem que haja uma reflexão sobre os impactos em relação aos demais.
Só a sensibilidade e a capacidade de nos colocar na posição do outro poderão gerar a indignação necessária à mobilização em torno da causa dos excluídos e injustiçados, o inverso da apatia e alienação dos tempos atuais em que tudo parece se resumir ao ''mundo de caras''.

LUIS MIGUEL LUZIO DOS SANTOS é doutor em Ciências Sociais e professor do departamento de Administração da Universidade Estadual de Londrina

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