ESPAÇO ABERTO
A dúvida do bacharel em Direito
Gosta de ler, de se comunicar, de argumentar, de escrever, sofreu influência dos pais ou não soube o que fazer ao atingir 17 anos de idade. São várias as razões alegadas para explicar a escolha pela graduação em Direito. Cinco anos se sucedem de forma praticamente imperceptível durante a faculdade. São múltiplos conhecimentos adquiridos, diferentes áreas a serem exploradas, e uma gama possibilidades afloram na mente do estudante até que ele conclui o curso com uma certeza: terá que definir o que quer ser agora que ''cresceu''.
Mesmo aquele adolescente que tinha absoluta convicção que queria cursar Direito, agora como adulto se verá novamente em uma encruzilhada para decidir entre as inúmeras carreiras que tal curso lhe proporciona: advocacia, Ministério Público, magistratura, etc. Terá que optar entre ser profissional liberal ou seguir carreira no funcionalismo público. Então, surge o problema: aquele adolescente convicto de suas habilidades, agora passa a considerar outras variáveis antes irrelevantes, tais como saturação do mercado de trabalho, estabilidade financeira, tranquilidade nas férias, jornada pré-estabelecida, dentre outras características que a sociedade tende a considerar como fundamentos para a valorização dos concursos públicos.
É uma pressão tremenda. Os pais preocupados com o futuro de seus filhos incentivam-nos a prestar concursos; as opiniões dos amigos e demais familiares também tendem a seguir o caminho da estabilidade, mas e o dom? Por vezes se desconsidera aquilo que se pode descrever como aptidão em prol de comodidade, segurança, estabilidade, mas e a felicidade? Aquela frase que se ouvia quando adolescente ''Você tem que fazer aquilo que você gosta!'', parece perder o sentido agora. Seguir um sonho? Seguir seus planos? Eis uma dúvida cruel. A maré empurra em um único sentido e nadar contra ela exige esforço e convicção, enquanto nos tempos atuais o que menos se vê é disposição.
FELIPE AUGUSTO MAZZARIN DO LAGO ALBUQUERQUE é advogado em Londrina
Salto para a espiritualidade
Desde as aulas de catecismo ouvíamos a recomendação de que é preciso, frequentemente, fazer um exame de consciência para medir nossos comportamentos. Se fazer esse exame é necessário, muito mais é ser aprovado e graduar-se, o que significa evoluir. Como nos ensinam os mestres, bom é não só brilhar, mas resplandecer. Porque brilhar é iluminar-se, mas resplandecer é irradiar a luz de forma que alcance os que estão ao nosso redor.
É fundamental ter uma religião, porque - como tenho dito e repetido - isto sustenta a crença num poder superior e na continuidade da vida após esta, ou a humanidade teria sucumbido pela desesperança. Entretanto, é preciso haver menos preocupação com a presença regular aos ritos religiosos e mais em executar na prática aquilo que as religiões nos repassam. Amar a nós mesmos, amar ao próximo, exercer a solidariedade, dominar o ego inferior e progredir na elevação do senso moral. Devemos ter consciência de que somos espirituais, por herança divina, e não meros seres carnais.
Fanatismo, beatice e exploração de certas igrejas para proveito financeiro são comportamentos viciados pela impureza. Os livros sagrados, embora louvados mas pouco entendidos, foram sementes lançadas, e se elas germinaram precisam florescer e gerar frutos. Isto quer dizer o exercício das virtudes apregoadas. Temos de nos melhorar individualmente, mas o sentido de igreja é também pensar a coletividade.
Amando a nós próprios (e não confundir com egolatria, que é o baixo ego), aprendemos a amar os semelhantes, e amando nossos iguais amamos o Criador. Isto é o que se chama a transição da religiosidade para a espiritualidade. Porque religiosidade tem muito de comunhão com as normas de cada igreja, mas espiritualidade é o salto para a comunhão com Deus.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





