ESPAÇO ABERTO
Acesso ao conhecimento
A Biblioteca Municipal, que completa 60 anos em 2011, vive um novo tempo de investimentos. A Prefeitura de Londrina vai informatizá-la e atualizar o seu acervo literário. Já estão previstos R$ 350 mil da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) para iniciar o processo de informatização das bibliotecas públicas, escolares e do professor e para compra de equipamentos de informática.
É a segunda etapa da transformação iniciada em 2009, quando encontramos o estado físico do prédio extremamente precário: quando chovia havia goteiras em várias seções da Biblioteca; mais de 100 cadeiras quebradas; inexistência de computadores para crianças; banheiros em situação deplorável; máquinas de escrever e quadro funcional defasados. Estruturamos, então, um plano para enfrentar as demandas: contratamos sete bibliotecários; fizemos reparos urgentes no telhado e mobiliário; adquirimos material de consumo e reformamos os banheiros da Biblioteca, num investimento de R$ 30 mil.
Estamos agora reformando a parte elétrica do prédio, com o custo de R$ 92 mil. Isso é fundamental para o próximo passo: a informatização da Biblioteca. Trabalhamos também na aquisição e ampliação de acervos, além de readequações das bibliotecas ramais e aquisições de estantes. Licitamos a assinatura de 13 publicações, entre jornais e revistas.
Em parceria com o Sesi, Senai e Fiep estamos concluindo as obras de cinco bibliotecas, ao lado de escolas municipais, em áreas de maior vulnerabilidade social, algumas em distritos rurais. Além dos alunos, pais e comunidade terão à disposição três mil títulos em cada uma delas, acesso à internet, em sala moderna com ar-condicionado, para maior comodidade do usuário desse mais novo serviço que facilita o acesso aos livros e ao conhecimento.
ROVILSON JOSÉ DA SILVA é diretor de Bibliotecas da Secretaria de Cultura de Londrina
O poder do sentimento coletivo
A união de ideias e sentimentos tem vigoroso poder. Recentemente quatro grandes acontecimentos moveram as vibrações emocionais da humanidade: a tragédia do Japão, o casamento do príncipe William e Catherine, a beatificação de João Paulo ll e a anunciada morte de Osama bin Laden. No caso japonês, a dor e a comoção tocaram os coirmãos de todo o mundo; o evento nupcial foi visto com emoção por dois bilhões de pessoas; os católicos de todo o planeta, que somam 1,3 bilhão, prostraram-se em solene reverência ante a celebração; ao mesmo tempo, anunciava-se a execução do terrorista.
Dor e solidariedade fundiram-se diante do trágico desastre do Japão; amor e ternura envolveram tanta gente no momento resplandecente da cerimônia matrimonial; fé e devoção inundaram os corações naquelas horas da beatificação. Entretanto, a exultação pela morte de bin Laden, com sabor de desforra, sobretudo nos EUA, teve uma cinzenta densidade, porque comemorava-se uma execução sumária, sem reação nem chance para o rito de um julgamento pelas cortes internacionais. E não houve complacência com os filhos de Osama e uma mulher, que se encontravam com ele (se é que era realmente ele, pois não se viu o corpo).
O noticiário não questionou a forma como se deu esse justiçamento - por um pelotão do governo americano e não por uma ação das Nações Unidas, que seria certamente de prisão. Não importando, no caso, quem era a pessoa executada, houve violação das leis internacionais, que condenam a invasão de um território estrangeiro, ademais fazendo-se justiça pelas próprias mãos.
Os três primeiros eventos geraram grandes curas planetárias, pela vigorosa sinergia de amor e emoção. Já a exultante emanação que irrompeu (especialmente nos EUA) pela morte de Osama bin Laden estava carregada de um misto de euforia e vingança. Nem mesmo se sabe se foi ele quem articulou o ataque às Torres Gêmeas. Bons sentimentos conjuntos têm o poder de prece, e, ao inverso, louvações pela lei do ''olho por olho e dente por dente'' são corrosivas e desagregadoras.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





