ESPAÇO ABERTO
Paraná: investimentos públicos
Nos últimos anos a economia paranaense vem sendo impactada negativamente na aplicação de investimentos públicos com recursos próprios. As últimas administrações foram responsáveis pela redução de investimentos na infraestrutura estadual. Não obstante a capacidade arrecadadora das finanças estatais usufruírem de crescimento constante. Expressado na planilha orçamentária anualmente. Realidade que conflita com as aspirações da modernidade infraestrutural que o dinamismo da economia privada e o povo paranaense têm o direito de ter, e exigir dos seus governantes. Os dados e números que seguem têm origem oficial: Secretaria da Fazenda do Paraná - Coordenação da Administração Financeira do Estado -Divisão de Controle da Receita e Dívida Pública. Oferecem cenário que deve ser meditado pelas forças ativas da sociedade paranaense. Afinal, a grande vítima.
O documento elenca as administrações José Richa, Alvaro Dias, Roberto Requião e Jaime Lerner. As duas últimas respondem por 20 anos. E foi exatamente nelas que os investimentos atingiram o seu menor número.
1. Administração José Richa (1983-1986), no primeiro ano investiu 14,16%; no segundo, 14,43%; no terceiro, 17,85%; e no quarto, 22,13%. O investimento totalizou 68,57%, atingindo a média de 17,14%.
2. Administração Alvaro Dias (1987-1990), no primeiro ano, 23,55%; no segundo, 29,19%; no terceiro, 21,41%; no quarto, 14,79%. O investimento totalizou 88,94%, atingindo a média de 22,23%.
3. Administração Roberto Requião (1991-1994), no primeiro ano, 14,72%; no segundo, 11,49%; no terceiro, 16,86%; no quarto, 17,13%. Investimento global de 59,58%, alcançando a média de 14,90%.
4. Administração Jaime Lerner (1995-1998), no primeiro ano, 12,45%; no segundo, 13,15%; no terceiro, 16,86%; no quarto, 17,13%. Investimento global de 59,58%, alcançando a média de 14,90%.
5. Administração Jaime Lerner (1999-2002), no primeiro ano, 5,03%; no segundo, 5,17%; no terceiro, 7,83%; no quarto, 8,42%. Investimento total de 26,44%, alcançando a média de 6,61%. Diferença brutal nas suas duas administrações.
6. Administração Roberto Requião (2003-2006), no primeiro ano, 7,07%; no segundo, 7,00%; no terceiro, 8,0%; no quarto, 9,41%. Investimento total de 31,48%, atingindo a média de 7,87%.
7. Administração Roberto Requião (2007-2010), no primeiro ano, 4,94%; no segundo, 5,23%; no terceiro, 5,02%; no quarto, 6,0%. Investimento total de 21,19%, alcançando a média de 5,30%.
Os números merecem reflexões dos paranaenses conscientes. E das suas entidades de classe. Os governos José Richa e Alvaro Dias viveram uma conjuntura adversa, refletida em época inflacionária, economia indexada e planos econômicos fracassados do governo federal. Mas com rigoroso controle dos gastos públicos estaduais, garantiram investimentos naquela totalidade. Richa, com 68,57%. Alvaro, com 88,94%.
A partir de 1994, nas duas administrações Lerner e Requião, com a economia estabilizada pelo Plano Real, tornou-se mais fácil e racional planejar os gastos e os investimentos públicos. Qual o insondável mistério para o regressismo nos investimentos estaduais?
No primeiro governo Lerner, o número foi razoável, 59,58%. No segundo, o desastre, 26,44%. No primeiro governo Requião, foi de 31,48%. No segundo, 21,19%, recorde absoluto. O último governo Lerner e os dois de Requião que se seguiram demonstram pelos números oficiais que foram sucateadores das potencialidades regionais do desenvolvimento paranaense. A infraestrutura estadual, em muitas áreas, encontra-se em situação lastimável em regiões que sofrem pela incúria dos investimentos que nunca chegaram. E o mais grave, naqueles governos os investimentos foram canalizados com prioridade para uma única área, na sua maior parcela. Um grave desserviço à integração das diferentes regiões que plasmam o futuro de todas as gentes.
EDSON GRADIA é ex-secretário de Esporte e Turismo do Paraná





