Abaixo o quadro-negro

No século XIX as salas de aulas eram formadas por fileiras de carteiras, onde os alunos sentavam-se um atrás do outro, tendo na frente um quadro-negro. O professor escrevia os conteúdos das aulas com giz, de costas para os alunos, usando o apagador na outra mão. No século XX, o panorama foi o mesmo. Neste século, nada mudou, pois a sala de aula continua da mesma forma. É inacreditável que, em pleno século XXI, com tanta tecnologia a nossa disposição, as salas de aulas continuem exatamente iguais há 200 anos.
Ao contrário de outras áreas, como a saúde, por exemplo, onde o diagnóstico e tratamento de doenças são realizados com utilização de modernos equipamentos, a educação continua completamente artesanal. E isto não acontece apenas em escolas da rede municipal ou estadual. As escolas particulares de educação básica, as instituições particulares de ensino superior e até mesmo as universidades públicas ainda mantêm este tipo de sala de aula. Tem-se a impressão que a educação e a tecnologia são incompatíveis.
Já passou da hora de modificarmos esta situação e dotarmos a sala de aula com equipamentos modernos. E não precisamos falar ainda de ''lousas digitais'' ou ''um notebook em cada carteira''. Bastaria, por enquanto, no lugar do quadro-negro, a parede pintada de branco, servindo de tela, um computador, um projetor (datashow) preso ao teto e altos falantes. Para eventuais anotações, pequenos quadros laterais. Esta simples tecnologia permitiria que os professores, além de escreverem diretamente pelo computador, ilustrassem suas aulas com textos em ''power point'', vídeos e outros recursos. Tal tecnologia em sala de aula permitiria ao professor ou professora planejar suas aulas com antecedência, passar para um ''pen drive'' e levar para a sala de aula.
Não estamos falando em substituir o professor, pois este é personagem imprescindível no processo educacional, mas sim, dotá-lo de instrumentos que permitam uma aula mais moderna, dinâmica e motivadora.
Ao contrário do que alguns educadores possam concluir, a disponibilidade do equipamento citado na sala de aula não irá provocar acomodamento dos professores, mas sim, a oportunidade e a necessidade de preparar antecipadamente suas aulas, utilizando o período destinado à hora-atividade. O uso destes equipamentos iria também, com certeza, reduzir o número de professores afastados temporariamente ou definitivamente das salas de aulas por problemas de saúde, como dores na articulação do ombro e alergia pelo pó de giz.
E o custo destes equipamentos é acessível para todas as redes de ensino. O computador, o projetor, os alto-falantes e até o controle remoto para permitir ao professor mais mobilidade em sala de aula e integração com os alunos, mais o custo da mão de obra para sua instalação, não teria, absolutamente, um custo superior a R$ 5 mil por sala. Considerando que em cada sala de aula estudam em média 50 alunos (25 em cada turno), o investimento ficaria em aproximadamente R$ 100 por aluno. Quantia irrisória para este avanço na educação.
Se a tecnologia, através de programas de governo como o Proinfo, chegou às escolas com laboratórios de informática, isto acaba provocando até uma certa contradição quando o aluno, após as aulas no laboratório, retorna à sala de aula e só encontra carteiras e quadro-negro, ou também quando o professor usa seu ''ipod'' ou ''ipad'' ou outro equipamento moderno durante o intervalo, passando ''torpedos'', acessando a internet, assistindo programas de televisão. Porém, quando chega na sala de aula tem apenas o quadro-negro, o giz e o apagador como instrumentos de trabalho.
Está na hora de levar a tecnologia para a sala de aula e modernizarmos o ensino, melhorando a educação. Vamos substituir o quadro-negro por uma tela colorida. Nossos alunos merecem.

JOSÉ DORIVAL PEREZ é advogado, pedagogo e consultor em Educação em Londrina

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