‘Praça com a Juventude’

Londrina se prepara para receber duas obras da ''Praça da Juventude'', um projeto do governo federal que tem levado a várias cidades do Brasil a constituição de um espaço com várias opções de lazer de entretenimento e cultura. A praça da Zona Sul, que está se iniciando, promete ser um belo espaço para a juventude. O que precisa ser levado em consideração é que um espaço público como este tem seu precioso valor, pois sabemos da carência daquela região em políticas públicas para a juventude. Bem diferente de outras regiões da cidade que têm contado com o trabalho de diversas entidades no que diz respeito ao cuidado e à formação de adolescentes e jovens.
O cuidado que precisamos ter neste momento é o da constituição de um espaço onde efetivamente sejam atendidas as demandas de políticas públicas da criança e juventude. É preciso vencer o extermínio de adolescentes e jovens, o tráfico de drogas e, principalmente, a ociosidade daqueles meninos e meninas que não têm acesso ao emprego nem muito menos formação para isso. Acredito que seria de grande valor mudar o nome do projeto, pelo menos em Londrina, de ''Praça da Juventude'' para ''Praça com a Juventude''. O que muda? Ora, muda tudo, vamos convocar nossos adolescentes e jovens daquela região e perguntar o que eles querem nessa praça. Quais serviços a Prefeitura deverá oferecer? A praça tem que ser o espaço da sociabilidade saudável, formada a partir dos conceitos e da realidade da região, com a colaboração das entidades e do poder público para que se efetive.
Se não ouvirmos nossos meninos e meninas, podemos cair no estigma do velho jargão: ''Eles não querem nada com nada''. Assim, nossa praça vazia, será palco de tristes situações de violência e morte, como em tantas outras praças comuns. Quase um cemitério e não uma praça. Deixem os adolescentes e jovens dizerem o que pensam e os ajudemos a construírem cidadania na ''Praça com a Juventude''. Aí, sim, teremos uma Londrina feliz.
RENATO EDER MUNHOZ é especialista em políticas públicas para a juventude em Londrina



De médico, músico e poeta



Bas­ta­va-lhe ser o mé­di­co da ele­va­da es­ta­tu­ra a que che­gou - um ca­mi­nho tri­lha­do com mui­to es­tu­do, ze­lo pro­fis­sio­nal e fé in­que­bran­tá­vel no po­der de ope­rar e cu­rar. Mas Fran­cis­co Gre­go­ri tam­bém deu ­asas aos do­tes mu­si­cais ao reu­nir mu­lher e fi­lhos e for­mar uma ban­da, e ago­ra edi­ta um li­vro - que me che­ga às ­mãos - com re­fle­xões em for­ma de ver­sos.
Ex­poen­te da ci­rur­gia car­día­ca, com mi­lha­res de ope­ra­ções em 40 ­anos, ele ­abre por­tais ín­ti­mos e ex­põe no li­vro ­seus sen­ti­men­tos, da mes­ma for­ma que es­can­ca­ra co­ra­ções en­fer­mos e os re­vi­go­ra. Ele nar­ra seu alí­vio em ca­da su­ces­so de cu­ra e sua dor quan­do não con­se­gue ven­cer o fan­tas­ma da mor­te que ron­da os cen­tros ci­rúr­gi­cos e os lei­tos dos hos­pi­tais. A his­tó­ria de seu le­ga­do à ciên­cia da ci­rur­gia car­día­ca já é bem co­nhe­ci­da, en­tão va­mos pu­lar es­sa par­te.
Tam­bém pas­sei pe­lo ex­pe­ri­men­to de uma in­ter­ven­ção ci­rúr­gi­ca e foi pe­las ­mãos de­le e de sua equi­pe, in­cluin­do-se aí sua mu­lher mé­di­ca de pós-ope­ra­tó­rio, Tel­ma, a ­quem eu des­cre­via co­mo um an­jo de bran­co quan­do ela en­tra­va, sem­pre aten­cio­sa, no re­cin­to da UTI. Nes­ses mo­men­tos ex­tre­mos per­ce­be­mos que as mes­qui­nha­rias se es­vaem e per­dem im­por­tân­cia, en­quan­to se res­sal­tam as vir­tu­des e os va­lo­res maio­res des­ta vi­da pas­sa­gei­ra.
Gre­go­ri cer­ta­men­te não de­se­jou um lau­rel de poe­ta, mas de­ve-se res­sal­tar seu des­pren­di­men­to ao ­abrir o pró­prio pei­to e ex­por seu co­ra­ção sen­ti­men­tal e o que há ne­le de hu­ma­no e sin­ce­ro. Um dos no­tá­veis re­la­tos foi o do dia (no iní­cio da car­rei­ra) em que ele des­co­briu que ­Deus ope­ra­va ao seu la­do. Foi quan­do, em con­di­ções ad­ver­sas, ope­rou e sal­vou uma crian­ça de cin­co ­anos. ‘‘...Fa­tos co­mo es­se me dei­xa­vam per­ple­xo - ele con­ta - por ser o opos­to do que me foi en­si­na­do. ...Ain­da ­ateu, só na ciên­cia acre­di­ta­va. ...Po­rém, al­go me di­zia que eu não es­ta­va só na­que­le ­dia’’.

WAL­MOR MA­CA­RI­NI é jor­na­lis­ta em Lon­dri­na

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