ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de março de 2011
- Renato Eder Munhoz <br> - Walmor Macarini 
Praça com a Juventude
Londrina se prepara para receber duas obras da ''Praça da Juventude'', um projeto do governo federal que tem levado a várias cidades do Brasil a constituição de um espaço com várias opções de lazer de entretenimento e cultura. A praça da Zona Sul, que está se iniciando, promete ser um belo espaço para a juventude. O que precisa ser levado em consideração é que um espaço público como este tem seu precioso valor, pois sabemos da carência daquela região em políticas públicas para a juventude. Bem diferente de outras regiões da cidade que têm contado com o trabalho de diversas entidades no que diz respeito ao cuidado e à formação de adolescentes e jovens.
O cuidado que precisamos ter neste momento é o da constituição de um espaço onde efetivamente sejam atendidas as demandas de políticas públicas da criança e juventude. É preciso vencer o extermínio de adolescentes e jovens, o tráfico de drogas e, principalmente, a ociosidade daqueles meninos e meninas que não têm acesso ao emprego nem muito menos formação para isso. Acredito que seria de grande valor mudar o nome do projeto, pelo menos em Londrina, de ''Praça da Juventude'' para ''Praça com a Juventude''. O que muda? Ora, muda tudo, vamos convocar nossos adolescentes e jovens daquela região e perguntar o que eles querem nessa praça. Quais serviços a Prefeitura deverá oferecer? A praça tem que ser o espaço da sociabilidade saudável, formada a partir dos conceitos e da realidade da região, com a colaboração das entidades e do poder público para que se efetive.
Se não ouvirmos nossos meninos e meninas, podemos cair no estigma do velho jargão: ''Eles não querem nada com nada''. Assim, nossa praça vazia, será palco de tristes situações de violência e morte, como em tantas outras praças comuns. Quase um cemitério e não uma praça. Deixem os adolescentes e jovens dizerem o que pensam e os ajudemos a construírem cidadania na ''Praça com a Juventude''. Aí, sim, teremos uma Londrina feliz.
RENATO EDER MUNHOZ é especialista em políticas públicas para a juventude em Londrina
De médico, músico e poeta
Bastava-lhe ser o médico da elevada estatura a que chegou - um caminho trilhado com muito estudo, zelo profissional e fé inquebrantável no poder de operar e curar. Mas Francisco Gregori também deu asas aos dotes musicais ao reunir mulher e filhos e formar uma banda, e agora edita um livro - que me chega às mãos - com reflexões em forma de versos.
Expoente da cirurgia cardíaca, com milhares de operações em 40 anos, ele abre portais íntimos e expõe no livro seus sentimentos, da mesma forma que escancara corações enfermos e os revigora. Ele narra seu alívio em cada sucesso de cura e sua dor quando não consegue vencer o fantasma da morte que ronda os centros cirúrgicos e os leitos dos hospitais. A história de seu legado à ciência da cirurgia cardíaca já é bem conhecida, então vamos pular essa parte.
Também passei pelo experimento de uma intervenção cirúrgica e foi pelas mãos dele e de sua equipe, incluindo-se aí sua mulher médica de pós-operatório, Telma, a quem eu descrevia como um anjo de branco quando ela entrava, sempre atenciosa, no recinto da UTI. Nesses momentos extremos percebemos que as mesquinharias se esvaem e perdem importância, enquanto se ressaltam as virtudes e os valores maiores desta vida passageira.
Gregori certamente não desejou um laurel de poeta, mas deve-se ressaltar seu desprendimento ao abrir o próprio peito e expor seu coração sentimental e o que há nele de humano e sincero. Um dos notáveis relatos foi o do dia (no início da carreira) em que ele descobriu que Deus operava ao seu lado. Foi quando, em condições adversas, operou e salvou uma criança de cinco anos. ...Fatos como esse me deixavam perplexo - ele conta - por ser o oposto do que me foi ensinado. ...Ainda ateu, só na ciência acreditava. ...Porém, algo me dizia que eu não estava só naquele dia.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


