ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de março de 2011
- Kiyomi Nakanishi Yamada <br> - Júlio Cesar Rodrigues 
De Hiroshima a Fukushima
Os grandes investimentos em tecnologia para diminuir os efeitos dos terremotos e tsunamis que ocorrem com frequência no Japão não foram suficientes para evitar o vazamento radiativo na Usina Nuclear de Fukushima. A utilização da energia nuclear pressupõe uma reflexão não apenas sobre os possíveis riscos à qualidade de vida das pessoas expostas à radiação, mas também à própria sobrevivência planetária. Os efeitos devastadores de um possível aumento no vazamento de energia nuclear na Usina de Fukushima são incalculáveis para toda a humanidade.
Hans Jonas, filósofo contemporâneo, que viveu o momento histórico do lançamento da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki afirma na sua obra ''Heurística do Temor'' que o homem se tornou perigoso para o homem na medida em que ele põe em risco o equilíbrio na natureza; a preservação da natureza constitui condição básica para a sobrevivência humana; é necessário vigilância nas intervenções sobre a natureza, pois estes podem criar possibilidades catastróficas.
Embora as usinas nucleares sejam consideradas seguras, é preciso avaliar os potenciais riscos em caso de acidentes nucleares; muitos dos efeitos deletérios não ficam restritos ao presente, elas avançam no tempo e no futuro poderão acarretar consequências para os ''ainda'' não nascidos.
A devastação ambiental e as perdas humanas causadas pela bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki são do conhecimento de todos, porém não se sabe quais serão as consequências do vazamento radioativo da Usina de Fukushima.
Diante do ocorrido é necessário conscientizar a população e os governantes sobre a responsabilidade de estudar formas alternativas de produção de energia que tragam menos possibilidade de danos à vida planetária.
KIYOMI NAKANISHI YAMADA é especialista em Bioética, membro da Sociedade Brasileira de Bioética e do Núcleo de Bioética de Londrina
Efeito Movelpar
A cada dois anos, o Norte do Paraná experimenta um importante incremento em sua economia. É o chamado efeito Movelpar, derivado da feira nacional da indústria de móveis realizada no Pavilhão Expoara, em Arapongas. A edição deste ano, encerrada no dia 18/3, foi considerada a maior de todas em volume de negócios, ultrapassando meio bilhão de reais. Mais de 46 mil pessoas, de diversas partes do país e do mundo, foram conhecer as novidades da indústria moveleira e deixaram muito dinheiro aqui. Estima-se que os visitantes tenham gasto em torno de R$ 12 milhões em estadia, alimentação, vestuário e outros serviços durante os cinco dias da feira.
A cada Movelpar, a região toda se beneficia e vira vitrine para os empresários de fora. A rede hoteleira de Londrina a Maringá lota. No comércio e nos shoppings da região, muita procura por roupas, especialmente ternos e gravatas. Os restaurantes registram sensível acréscimo no movimento. Mais de mil pessoas trabalham direta ou indiretamente na organização do evento, o que gera receita que será novamente injetada na economia regional. E o volume de negócios na própria feira se reverte em produção industrial, gerando ou mantendo empregos.
Tudo isso se deve aos moveleiros de Arapongas. Alguns anos atrás, liderados pelo industrial João Sequeira Cardoso e Oliveira, eles sonharam em realizar uma feira nacional de móveis na cidade. Era a semente da Movelpar. Resolveram construir o Expoara, o enorme e moderno pavilhão de eventos às margens da BR-369. O saudoso empresário Adriano Romera também teve participação decisiva, ao lado de outros grandes empreendedores araponguenses, responsáveis pelo completo êxito do projeto. De lá para cá, a cidade e a região colhem os frutos daquela ousadia. E o Expoara continua contabilizando sucesso. A última Movelpar foi só elogios. A edição de 2013 está com mais de 80% dos espaços vendidos. Certeza de que o efeito Movelpar continuará se alastrando.
JÚLIO CESAR RODRIGUES é advogado em Arapongas


