ESPAÇO ABERTO
Leitura e a Biblioteca Municipal
Recentemente, ao fazer empréstimos de livros na Biblioteca Municipal de Londrina fiquei estarrecida ao saber das dificuldades para atualização do acervo literário. Como não há verbas oficiais disponíveis para aquisição de novos livros, eles só são obtidos quando algum usuário atrasa a devolução dos exemplares no prazo estabelecido. As bibliotecárias tiveram uma ideia para quando isso ocorre: oferecem ao usuário a opção de, ao invés de pagar a multa, fazer a doação de algum livro que esteja sendo procurado pelos leitores e que a Biblioteca ainda não tem.
Uma ideia criativa que ajuda a atualizar e melhorar o acervo literário. Imaginei que seria muito interessante se os amantes das boas leituras e que têm o costume e privilégio de poder comprar livros em sebos ou livrarias, pudessem fazer doações à Biblioteca, não de obras clássicas e antigas, pois estas ela já as tem, mas sim de obras atuais, modernas, contemporâneas, até mesmo os best-sellers mais lidos que, afinal, são também um tipo de leitura que pode funcionar como uma ponte para outras mais ricas e profundas.
Peço ao prefeito Barbosa Neto, jornalista e comunicador que já foi um dia, sabedor do bem que o acesso à leitura e ao conhecimento proporciona para os menos favorecidos e que tem demonstrado preocupação em melhorar a educação dos nossos pequenos estudantes, que dê um olhar especial para a informatização do sistema da Biblioteca Municipal e atualização de seu acervo literário. Já aos cidadãos e leitores comuns, que façam doações de obras atuais para nossa biblioteca, que é um bem cultural de valor inestimável para todos. Nossos jovens leitores com certeza muito agradeceriam.
A educação e o incentivo à cultura são trabalhos de muitas mãos. Vamos dar uma mão também. Muita gente que gosta de ler, mas não pode comprar livros, vai agradecer.
SIMONE HARIETE PASINI é bacharel em Direito em Londrina
Caminhos de evolução e redenção
Goethe, poeta alemão, escreveu para Carlota von Stein: ''Mas ah, em dias de outras vidas tu fostes minha irmã, ou talvez minha mulher''. Origenes, eminente teólogo grego do segundo século, afirmava que a alma é preexistente ao corpo e volta a encarnar. Os druidas, que formavam uma evoluída civilização dois mil anos antes de Jesus, acreditavam na lei do carma (a da causa e consequência) e nos desenlaces e nascimentos sucessivos de um mesmo ser, até o alcance do estado de purificação.
Os essênios, de cujo meio viera Maria, cultuavam esse mesmo princípio, e com eles Jesus jovem conviveu por certo tempo, e nunca os negou. São Gregório e São Jerônimo falavam da transmigração das almas. São Thomás de Aquino comunicava-se com os habitantes de outros mundos. Jesus disse, no Conclave da Coroa, que a reencarnação é a manifesta misericórdia de Deus e a esperança de evolução e autoelevação até os planos mais altos.
Os fenômenos espíritas vêm de eras remotíssimas e, por volta de 1850, o pensador francês Allan Kardec codificou a doutrina espírita, de forma que a humanidade pudesse entendê-la. Ele declara haver, para tanto, recebido ordem do Alto. A ''ressurreição da condenação'', a que se referiu Jesus, parece não fazer outro sentido senão o da repetição de vivências terrenas.
Essas vindas e idas visam o aperfeiçoamento e a salvação. E salvação, de que tanto se fala, não é escapar do ''fogo do inferno'', porque tal inferno não existe, embora a sujeição temporária aos umbrais, ou purgatórios, de que falam todas as religiões. Salvação é transpor o portal que nos introduz no reino da imortalidade, ou seja, o fim dos ciclos da morte, o que se alcança na sexta e sétima dimensões, segundo o Livro do Conhecimento. (A Terra está na terceira dimensão). Melhor do que o conceito de um Deus punidor, que nos mandaria para uma fornalha, é o Seu alento misericordioso dando-nos a contínua oportunidade da redenção.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





