Velocidade degrada e pode matar!

Sou morador de uma região essencialmente residencial (Higienópolis, Fernando de Noronha, JK, Alagoas) com população em torno de 40 mil habitantes, maior que 300 municípios do Paraná. Temos lojas de roupas de alto padrão, academias de ginásticas, igrejas e templos; butiques de pães e salgados, etc.
Contribuímos anualmente com muito impostos (IPTU cerca de R$ 10 milhões; iluminação perto dos R$ 500 mil) e taxas, mas o retorno é muito pequeno. Há algum tempo convivemos com velocidade e insegurança no trânsito nas ruas transversais como Pará, Goiás, Piauí. Mas em vez de melhorar, no final de 2010, sem nos consultar a Prefeitura/CMTU nos surpreendeu com uma mudança no sistema viário: acabou com aproximadamente 400 vagas de estacionamento e passou a cobrar as que sobraram. O pior é que deu mais velocidade nas ruas Paranaguá, Santos e Belo Horizonte. Deu velocidade, mas não deu fluxo. Pois os carros têm que parar em todas as esquinas! Não houve por parte dos órgãos municipais nenhuma justificativa coerente que mostrasse que isto está dentro de um projeto maior.
Fomos à CMTU cobrar explicações, saímos achando que não planejaram nada. Estamos tentando falar com o prefeito Barbosa Neto desde setembro, mas até agora não tivemos resposta. Parece que uma das maiores concentrações populacionais de Londrina não é importante para eles.
A velocidade do trânsito degrada uma região! Veja a Duque de Caxias como ficou! Nossa região tem um projeto de humanização das ruas e calçadas. Com enfoque no direito de caminhar a pé! Calçadas mais largas, rampas, faixa de segurança, redutores de velocidade, guaritas. Um grande jardim para passearmos, para vivermos com segurança.
Não queremos nada absurdo! Já existe algo semelhante nas ruas Santiago, Assunção e Madre Leônia. Ali foram instalados redutores de velocidade, faixas de segurança e guaritas.
CLAUDIO ESPIGA é engenheiro civil em Londrina


Nem tudo é culpa do homem
Conforme já escrevi algumas vezes, nem tudo o que acontece de desastroso no planeta é culpa do homem (ao contrário, talvez sejam suas razões), porque esta esfera onde temporariamente habitamos é um corpo vivo, que pulsa, respira e tem vida própria. Mesmo que não houvesse aqui a presença humana, os terremotos e tsunamis, a erupção dos vulcões e as tempestades devastadoras aconteceriam. Como sempre aconteceram ao longo da história recente e remota.
O homem, é verdade, cometeu a imprudência de devastar as florestas e aquecer os entornos do globo com gases quentes e venenosos, que resultaram em poluição e estão derretendo as geleiras, elevando as águas oceânicas, com seu avanço sobre os continentes - o que, se não for contido, diminuirá o espaço para as pessoas e os animais e as áreas de cultivo de alimentos. Tudo isto vem molestando profundamente a Terra, mas o homem parece tendente a não cessar essa investida louca. Talvez só se detenha quando não mais resistir à própria asfixia.
Atentemos, porém, para a constituição deste globo que baila no espaço e que tem pulsações e vida intestina, vomita fumo e lavas, se estremece na ruptura e entrechoque de suas placas rígidas e enfurece as águas, gerando morte e destruição. Verdade que o homem, com suas armas mortíferas, já fez pior. E pergunta-se por que usinas nucleares - que se rompem ante forças incontroláveis, espalhando radiação mortal - se temos opções de energias limpas. Dos tristes episódios como estes mais recentes, ressalta-se o notável gesto da solidariedade humana.
Escapa à razão comum entender por que mortes e sofrimentos coletivos acontecem. Seriam carmas e expedientes de purificação para todos nós e os extertores de um processo de cura do próprio planeta. Não deve ser por acaso que estamos aqui, juntos, vivenciando estes experimentos.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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