Londrina cidade limpa

Após acompanhar pelos jornais a polêmica criada pela dita Lei Cidade Limpa, comecei a relembrar com atenção o que tem acontecido em Londrina nestes últimos anos. É impressionante o estado de abandono a que tem sido submetida nossa querida cidade pelas inúmeras administrações que se sucederam na prefeitura, desde 1988, sim porque naquele ano terminava o mandato do saudoso Wilson Moreira, último prefeito que realmente soube administrar Londrina, mantendo a austeridade necessária no cuidado com o bem público.
Os prefeitos seguintes foram totalmente negligentes em relação a todos os aspectos que envolvem a administração de uma cidade que se quer moderna como Londrina, principalmente na área da saúde, segurança e educação, sem falar nos escândalos com repercussão nacional que culminaram com a cassação do mandato de um prefeito, o que envergonhou o povo londrinense de bem, além de afastar inúmeras empresas que poderiam aqui se estabelecer, gerando riqueza e bem-estar social. Esses fatos ficam evidentes quando se observa o crescimento de cidades como Joinville e Maringá, cuja pujança de suas economias é de causar inveja.
Londrina ficou parada no tempo, e o que se observa é uma cidade sem planejamento de longo prazo, com sistema de transporte pífio, que se reflete em congestionamentos e lentidão no trânsito, ausência total de programas educacionais para motoristas e pedestres, apesar da tentativa tímida das faixas de pedestres que não obteve resultados.
Não temos segurança adequada nas ruas, por falta de efetivo policial e por falta de programas que deem alternativas aos jovens e crianças carentes que vagueiam pelas ruas, substrato da delinquência e perpetuação da miséria.
Nosso sistema de saúde é caótico, e nestes últimos 20 anos nada se fez em termos administrativos que pudesse reverter a contínua queda de qualidade na prestação de serviços na rede pública, por recursos financeiros sempre insuficientes e uma gestão totalmente amadora, o que não permite uma capacitação adequada dos profissionais da área e se reflete em cuidados inadequados aos pacientes, filas de espera para atendimentos ambulatoriais e de urgência, além de aumento na gravidade de doenças como câncer e cardiopatias, para citar apenas as de maior mortalidade.
Poderiam alegar que dependem de recursos estaduais e federais, porém o sistema de gestão do SUS em Londrina é pleno e, portanto, é a administração municipal que define as prioridades, gerenciando e aplicando os recursos.
Tudo isto poderia ser resolvido com vontade política e aplicação de técnicas modernas de administração, como o choque de gestão desenvolvido pelo governo de Minas Gerais em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, que trouxe resultados expressivos para aquele estado.
Voltando ao assunto abordado no início deste texto, entendo que o único motivo para que se aplique esta Lei Cidade Limpa, e obrigue os comerciantes a simplesmente retirarem suas placas e todas as fachadas modernas que foram feitas recentemente, sem dar alternativas claras e que realmente embelezem a cidade, seja para expor as fachadas antigas dos prédios comerciais, muitas com mais de 50 anos e em estado deplorável, e assim combinar com as ruas cheias de buracos, algumas com paralelepípedos expostos, e com as calçadas totalmente desniveladas, sem padronização, e cheias de obstáculos e buracos que dificultam a vida de pedestres, principalmente idosos e usuários de cadeiras de roda. Isto é realmente lastimável.

FLÁVIO LÚCIO AMARAL é médico anestesiologista em Londrina

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