ESPAÇO ABERTO
Transformando perdas em ganhos
Cinquenta e seis bilhões de reais: esse seria o valor perdido com a má gestão do dinheiro público investido na educação no Brasil. O número faz parte de um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que apontou que se nosso país investisse nesta área com a mesma eficiência de outros sete países da América Latina, a média de escolaridade nacional subiria 2,4 anos e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita aumentaria 10,5% em dez anos.
Segundo a pesquisa, em dez anos, entre 1999 e 2008, o governo brasileiro gastou 978 dólares anuais por estudante. Já Uruguai, Bolívia, El Salvador, Peru, Paraguai, Nicarágua e Equador gastaram, em média, 7,4% a mais: cerca de 1.050 dólares por aluno.
Ainda tendo como base esse estudo, continuamos com tristes constatações. A taxa média de analfabetismo nacional foi de 11,3% e a dos países da América Latina, de 8%. A repetência no antigo primário, no Brasil, atingiu 21,4% dos alunos, bem acima dos índices dos outros países latino-americanos, que tiveram 5,8% de repetência.
Outro relatório confirma o descaso com a nossa educação. O movimento independente ''Todos pela Educação'' divulgou, com dados relativos a 2009, que ainda existem 3,7 milhões de crianças e jovens de todo o Brasil fora das escolas. A esse dado, junta-se a informação alarmante que mostra a defasagem de uma parcela considerável da população em idade escolar: 63,4% dos jovens com 16 anos têm ensino fundamental completo, mas somente 50,2% de garotos e garotas de até 19 anos concluíram o ensino médio.
Diante de tudo isso, fica claro que o Brasil precisa de mais eficiência na área da educação. Investir na Educação a Distância (EAD) é um passo. Tal modalidade eficaz permite a popularização do ensino, não o restringindo pelo difícil acesso (uma vez que pode chegar aos locais mais remotos), pela dificuldade de compreensão de conteúdo (já que é possível assistir a mesma aula diversas vezes) ou por outros fatores (de necessidade de deslocamento: risco na segurança) o que contribuiria para melhorias no cenário atual.
Impõe-se investir em ferramentas que proporcionem a inovação educacional, e não em continuar com um sistema de ensino que, à luz do citado, claramente não funciona satisfatoriamente. A adaptação ao Ensino a Distância, em conjunto com a sala de aula, seria ainda muito bem aceita pelos alunos mais jovens, que têm, por convivência rotineira, mais facilidade com as novas tecnologias.
Para eles, o uso da EAD seria uma lógica ferramenta no aprimoramento do ensino, uma vez que muitos já buscam na internet apoio, utilizando redes sociais, Wikipedia, Google, jornais e revistas on-line, etc.
Se investíssemos metade dos R$ 56 bilhões perdidos (como se mencionou no início do texto) nessa área, teríamos muito mais êxito no que se refere à educação qualitativa do nosso país. O Estado, facilitando a expansão da EAD, garantiria aos cidadãos, pelo menos considerável diminuição dos tristes números que hoje nos atormentam como sociedade aspirante à emergência.
CARLOS ALBERTO CHIARELLI é ex-ministro da Educação, doutor em Direito e presidente da Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância





