Camisinha e Carnaval

O Carnaval vem aí. E vem anunciado por inúmeras propagandas. Nos meios de comunicação pululam anúncios da festa que se aproxima. Destes anúncios a maioria versa sobre a importância do uso de preservativos. São propagandas do gênero ''curta o Carnaval, mas use camisinha''. Os mentores desses anúncios os qualificam como ''educativos'', e com tal escopo esses anúncios são veiculados em todos os horários e para todos os públicos, sem qualquer cuidado.
É notório que a festa carnavalesca propicia um ambiente de sexualidade e que isso aguça a lascívia de muitos frequentadores. Entretanto, quando o governo investe em propagandas recomendando o uso de camisinhas nessas festas, acaba assumindo um papel deseducador da sociedade. Ora, não deve o governo defender a dignidade da pessoa humana e a moralidade antes de tudo? O governo que patrocina esse tipo de anúncio na verdade incentiva seus súditos a assumirem um comportamento animalesco, para o qual tudo é liberado. É como se dissesse ao povo que é aceitável que pessoas se utilizem dos corpos umas das outras como mera forma de entretenimento. É incentivar que o homem veja-se a si mesmo como objeto de prazer e diversão.
O homem, estimulado pelas propagandas que só fazem incutir a mentalidade de que o sexo é liberado e deve ser buscado a toda hora, começa a se comportar de forma instintiva. Assim, em qualquer ocasião que se veja estimulado à prática sexual, o homem que não aprendeu a dominar seus instintos não consegue evitar tal ação. E por isso, mesmo que não tenha em mãos o preservativo, ele irá se submeter aos seus instintos sexuais.
Por conseguinte, a proliferação das doenças sexualmente transmissíveis, as quais o governo visa combater com a veiculação dos anúncios acima referidos, só aumenta. Isso revela que a adoção de políticas para incentivar a utilização da camisinha não cumpre o papel desejado, mas apenas ''tapa o sol com a peneira''. É necessário que os governantes ''abram os olhos'' e modifiquem a sua conduta de estímulo ao sexo e ao uso do preservativo.

ISABELA DE ARRUDA CAMPOS é estudante em Londrina



Fundir emoções de homem e mulher


  Na lista dos requisitos para estabelecer-se o equilíbrio e a harmonia entre os seres humanos está o de extinguir-se de vez a dominação do homem sobre a mulher. Não significa a presunção de ele conceder-lhe direitos, porque não se pode dar o que não se possui. Ou seja, o homem não pode arrogar-se a outorga de direitos à mulher, simplesmente porque ela já é detentora de todos eles. Verdade que ele é a parte mais frágil, porque - machão que pareça - tem mais bloqueios e pode chegar a gestos extremos ante uma rejeição afetiva dela. Já a mulher é emocionalmente mais forte e segura.
  Num momento da remota antiguidade, quando a mulher era soberana e exercia domínio sobre o homem, ela abdicou de alguns poderes em favor dele, mas ele foi se tornando rude e arbitrário. A mulher acabaria envolvida nessa teia, embora nunca tenha perdido sua consciência de poder. E o seu maior dom é perenemente preservado - o de gerar a vida. Só agora, nas últimas décadas, a mulher veio retomando o caminho da emancipação, talvez não para mandar no homem - embora, sutilmente, ela sempre mandou - mas para afinal estabelecer uma melhor convivência com ele. Muitas delas descuidaram da feminilidade e começaram a parecer homens em seus comportamentos, perdendo sensualidade. Este foi um ponto falho.
  A próxima segunda-feira é o Dia da Mulher e espera-se que haja menos discursos repetitivos em defesa de direitos, porque isso não é tudo o que ela quer, e sim que nos ocupemos de sublimá-la e de exaltar sua missão divina. Os homens, salvo um ou outro e o atraso de alguns povos, já vão se tornando conscientes da nova realidade acerca da mulher. Então, vamos tratar de fundir solidamente nossas forças emocionais - nós homens e elas mulheres - sem deixar perder-se o aspecto belo e viril da masculinidade e a graça da feminilidade. Porque fora disso seria o caos.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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