ESPAÇO ABERTO
Abrindo novas janelas
Toda cidade tem problemas e prioridades. Alguns fazem parte do quadro comum reinante no país. Por exemplo, o contraponto entre desemprego e a sobra de vagas em algumas áreas de atividades, por falta de pessoal especializado. A saúde pública, cujo atendimento está em lamentável queda livre. O transporte coletivo. As moradias em áreas de risco. Ruas e casas alagadas sob chuvas cada vez mais fortes. Segurança pública. Manutenção das estradas. Escoamento das safras. O lixo jogado pelas ruas. Educação.
Outros problemas são típicos da nossa Londrina: buraqueira nas ruas, mato alto nos terrenos, filas nos postos de saúde, obras inacabadas e a tão discutida poluição visual.
No caso do Projeto Cidade Limpa, críticos exacerbados vêm externando suas queixas através deste e de outros veículos de comunicação, na tentativa de detoná-lo, com a desculpa de que os outros problemas são prioritários.
Londrina talvez seja a cidade brasileira com o maior grau de poluição visual. As gestões anteriores nunca se preocuparam com o assunto e permitiram que chegássemos ao ponto em que estamos hoje: uma disputa de braço-de-ferro entre a ACIL e a Prefeitura.
Se você olhar com isenção à sua volta, vai constatar que nunca houve nenhum critério para a instalação de fachadas, luminosos, front-lights, empenas e faixas, resultando em excesso e superposição de painéis na frente das empresas comerciais, um tapando a visão do outro, esse buscando se sobressair daquele, embaralhando totalmente o propósito maior: a boa comunicação visual.
Nas ruas e avenidas, outdoors dispostos lado a lado formam filas e mais filas como se fossem vagões de trens. Outros são sobrepostos em três e até quatro andares de publicidade, que certamente ninguém lê. E o pior: a famigerada pintura em muros, lembrando-nos dos antigos ''reclames'' da Idade da Pedra - literalmente!
O que os críticos do projeto não aventaram ainda, são as várias alternativas positivas que podem ser utilizadas, como a restauração e pintura das fachadas dos imóveis, muitos dos quais antigos e de bela arquitetura; placas criativas, nas medidas normatizadas; vitrinas deslumbrantes, chamativas, valorizando os produtos; modernização dos espaços; utilização de luminosos, multimídia e jogos de luzes internos.
Da mesma forma, há várias soluções para a substituição dos horrorosos outdoors: vários prefeitos estabeleceram parcerias para utilizar publicidade aliada a equipamentos de utilidade pública, como lixeiras, bebedouros, abrigos de pontos de ônibus, quiosques, placas informativas, relógios, entre outros. Também a publicidade indoor evoluiu na sua tecnologia e pode substituir com vantagens os outdoors.
Não dá mais para aceitar esta desordem urbana espalhada sem critério e sem regras. Precisamos abrir novas e criativas janelas acompanhando as tendências do Século XXI. Além disso, nós, cidadãos, precisamos sair da inércia e exigir com firmeza prazos dos governantes para a solução dos problemas, da mesma forma como eles nos impõem datas de vencimento dos impostos, taxas, licenças e tantas outras obrigações.
JULIO ERNESTO BAHR é publicitário e escritor em Londrina





