ESPAÇO ABERTO
O bullying na mídia
Durante tempos o bullying passou por tão evidente que nem se quer era criticado, hoje, com a abertura dada ao assunto, as escolas têm mantido posição de alerta. O fato é que o bullying, disfarçadamente, obteve na mídia uma válvula de escape que banaliza os valores sociais e incitam a violência, o desrespeito e a valorização do que é ''belo''.
Tem sido comum a mídia abrir espaço para falar sobre o bullying na escola, entretanto sua amplitude tem extrapolado os muros de lá. Mensagens e comentários depreciativos têm crescido e obtido divulgação na internet e em outros meios de comunicação, principalmente o televisivo, fazendo das salas de nossas casas palcos dessa violência.
A palavra bullying vem do inglês e pode ser traduzida como ''intimidar ou amedrontar'' e tem como principais características agressão física, moral ou material, sendo assim não estaríamos assistindo ao bullying de dentro das nossas casas e não somente nas escolas? O que impressiona não é a indignação de pais quando as vítimas são seus filhos, mas sim a hipocrisia ao sentarem à frente da TV para assistirem a esses programas ''humorísticos'' que ridicularizam pessoas. A gravidade desse tipo de violência não é levada a sério por todos, ou só é considerada quando passa a existir dentro da própria família.
O humor tem deixado de ser um acontecimento social capaz de gerar interação, passando a ser representado por qualquer tipo de constrangimento, aborrecimento ou embaraço.
A abordagem ao grotesco tem sido muito comum na televisão. Com o objetivo de garantir a audiência programas ridicularizam pessoas por suas características físicas, culturais etc., e os telespectadores se divertem com esses programas que ferem a imagem das pessoas. Dessa mesma forma acontece nas escolas, a diferença é que na escola esse tipo de violência é crime e na mídia não.
O bullying equivale a todas as formas de agressão física e/ou moral, convém, portanto, concordarmos que não é somente nas escolas que esse tipo de agressão tem sido comum. O bullying está em todos os lugares e cabe a cada um tomar posição e não admitir esse tipo de abordagem.
Precisamos pensar os valores, o direito de ser respeitado e o tipo de sociedade que queremos. Quando falamos em sociedade, falamos a respeito dos nossos filhos, irmãos etc., da educação que estão recebendo, da interiorização e naturalidade que está sendo evidenciado o ''direito'' de ridicularizar.
Todo ser humano tem direito de ter sua dignidade respeitada. As abordagens esculachadas feitas por programas de televisão, de auditório ou não, ferem princípios constitucionais e inclusive o código civil que determina que todo ato ilícito que cause dano a outra pessoa gera o dever de indenizar, por isso, o bullying não culmina na escola, está escancarada para todos aqueles que o queiram enxergar. Assistir a esses programas é incentivar e aceitar a violência contra os valores humanos.
Por sorte o que cada um considera engraçado reflete sobre sua visão de mundo.
ALINE MORALES é estudante em Assis Chateaubriand





