Os olhares que caem sobre Julian Assenge, criador do site WikiLeaks, são diametralmente opostos. De um lado, há o olhar borbulhante de ira de certos líderes e personalidades políticas. Do outro, há o olhar de jornalistas e fãs que o descrevem com adjetivos como herói, benfeitor e até anjo. Uma coisa é certa: Assenge nos deu um meio de perscrutar alguns dos segredos da política interna e externa. Críticas feitas às escondidas, torturas, punhaladas pelas costas, espionagem, tudo isso veio a público com o seu audacioso site.
Algo que não apareceu, porém, foram documentos comprovando que várias teorias conspiratórias estão corretas. Boa parte das atividades supostamente feitas às escuras, como pregam as teorias conspiratórias, seriam grandes demais para não deixar um rastro enorme de documentos para o WikiLeaks.
Os amantes das teorias conspiratórias gostam de afirmar que foram os próprios norte-americanos que perpetraram os execráveis ataques de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center. Se esta ideia fosse verdadeira, por que o WikiLeaks não revela documentos que a comprovem?
Desde a infância ouço gente tentando - em vão - provar que a ida do homem à Lua não passou de uma montagem feita em um estúdio de TV. E onde estão as provas desta teoria absurda? Por que o WikiLeaks não apareceu com algum documento mostrando, de modo irrefutável, que todas as seis missões tripuladas levadas à Lua entre 1969 e 1972 pelos americanos não passam de armações?
Na época da ida do homem à Lua a Nasa tinha 400 mil funcionários. Será que nenhum deles deixou uma única pista? E que dizer de ETs cativos? Alguns creem que os Estados Unidos, a Rússia e até o Brasil conseguiram capturar alienígenas vivos e mortos. Como sempre, não surgiu um único documento corroborando tais ideias.
Também não surgiram documentos comprovando que um grupo de grandes empresários governa o planeta secretamente, como querem alguns. Dentro do Brasil, surgiram ideias igualmente absurdas ao longo do tempo: Tancredo Neves teria sido assassinado. Ulisses Guimarães teria sido assassinado. O foguete brasileiro VLS teria sido destruído não por um acidente, mas por agentes estrangeiros, mesmo as investigações posteriores tendo comprovado que uma faísca no sistema elétrico levou à queima explosiva de seu combustível. Os americanos é que teriam torpedeado navios brasileiros na Segunda Guerra mundial, mesmo o alemão Karl Dönitz admitindo, em uma autobiografia, ter ordenado o ataque.
Note que todas estas ideias seriam fatos grandiosos demais e nunca permaneceriam como segredos por muito tempo. Mesmo sem um WikiLeaks, estes fatos - se fossem reais - já deixariam, por si, um rastro de pistas a denunciá-los, pois seriam complexos demais ou envolveriam grande quantidade de pessoas. Mesmo coisas muito menores acabam sendo descobertas. Por que então 400 mil pessoas mentindo a respeito da ida do homem à Lua ou outras tentando esconder que ETs estão entre nós não seria descoberto em pouco tempo?
Fica a impressão de que além de segredos de estado e do que há por trás dos tapinhas amistosos nas costas, Julian Assenge nos deu a certeza de que algumas das mais mirabolantes, espalhafatosas e absurdas teorias conspiratórias não passam, de fato, de ideias saídas de mentes muito criativas. Mas são ideias impossíveis de serem comprovadas simplesmente porque são irreais. Resumindo: a vida parece ser mais simples e monótona do que querem os amantes das teorias conspiratórias. Sinto muito.

JOSÉ SINÉSIO RODRIGUES é professor de Ciências, aluno de Geografia na Universidade Estadual de Londrina e coordenador da área de Astronáutica do Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina

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