ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de fevereiro de 2011
Isabela de Arruda Campos <br>Walmor Macarini 
Ser um bom pai
É corrente vermos casais adiando os filhos e programando-os para mais tarde, num momento de melhor estabilidade financeira. Filhos planejados, no entanto, não têm mais chance de ser felizes. Ao contrário, casais que pensam demasiadamente nas condições financeiras tendem a pensar muito pouco no que realmente importa para os filhos, como a doação, o respeito mútuo, a vivência das virtudes cristãs e humanas no lar, etc.
Ser um bom pai para muitos significa poder proporcionar aos filhos um bom colégio, aulas de idioma estrangeiro, de natação ou futebol ou viagens para a Disney. Ora, se tudo isso significasse realmente amor e doação à família, a juventude oriunda da classe média não teria problemas de ansiedade, depressão, ou insegurança. Para qualificar alguém de ''bom pai'' não basta usar a medida do bolso, mas a do coração. Um pai que proporciona muitas coisas aos filhos, mas que não respeita a própria esposa não pode ser um bom pai. Também não terá sido um bom pai aquele que, ao optar pelo trabalho em primeiro lugar, tenha perdido as chances de ajudar os filhos a descobrir o real sentido da vida e de educá-los na vivência das virtudes humanas, que são o alicerce da felicidade na vida adulta.
Que segurança pode sentir um filho se sabe que o próprio lar foi constituído por pessoas instáveis espiritual e emocionalmente? Em quem poderá se apoiar se sente que os próprios pais não apoiam um ao outro? Se a juventude, que foi majoritariamente planejada financeiramente por seus pais, não mostra a segurança e o domínio de si que as gerações passadas mostraram, é fácil concluir que o planejamento financeiro não basta. É preciso planejamento espiritual para dar sentido cristão ao lar. Ser um bom pai não significa prover mais. Ser um bom pai significa amar mais, doar-se mais, negar-se mais. Que os pais aprendam que qualquer ''paternidade responsável'' é, na verdade, irresponsável se não houver sentido de caridade no lar.
ISABELA DE ARRUDA CAMPOS é bacharel em Direito em Londrina
O bom e o mau uso do dinheiro
O dinheiro não é coisa ruim. O que há de errado não está nele, mas em quem o usa mal ou se escraviza a ele. Se fizermos do dinheiro um instrumento de troca e não razão de ganância e disputa, devemos saudá-lo como bem-vindo. Não se deve amaldiçoá-lo, que aí ele se espanta e vai embora. Valorizar as coisas que temos (dinheiro incluído) não é materialismo, mas respeito pelos bens terrenos, pois eles foram disponibilizados pela provedoria divina para facilitar a vida humana.
Temos de zelar por aquilo com que fomos presenteados - pela natureza, pelos antepassados e pelos nossos pais e familiares, que chegaram antes de nós e deixaram muitas coisas prontas. Por isso temos de viver sem desperdiçar, sobretudo os alimentos, porque o cansaço e o suor de muitos foi o preço pago para que pudéssemos desfrutar deles; e zelar pela água, dom valioso da existência terrena.
Dinheiro insuficiente é ruim, dinheiro na medida é o ideal. Já dinheiro demais só é bom se excercer função social e for gerador de mais riqueza para benefício do maior número possível de pessoas. Optar apenas pelos pobres pode torná-los ainda mais pobres, pois sem os mais abastados e empreendedores eles perecerão. Por isso não se deve odiar os ricos, porque são eles que, no mais dos casos, instalam negócios e dinamizam a economia, assim gerando empregos e progresso. Mas nada invalida que se lute pela divisão proporcional da riqueza, segundo a qualidade e importância da obra de cada um. Os endinheirados mesquinhos e corruptos, estes não são ricos, mas muito pobres.
Não pode haver desleixo com o dinheiro. E viver em estado de indolência e pobreza lamurienta é a pior das misérias. Este tipo de pobre, com toda a certeza, não é bem visto pelo gerente celestial, contrariando aqueles que louvam todas as formas de pobreza como mérito e passaporte para entrada no paraíso. Lembremo-nos da parábola dos talentos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


