A fé mensurada
Edson Medardo Scarchetti


Por mais que procuremos a fé nos quatro cantos do mundo nós não a encontraremos, pois ela está dentro de nós, no nosso coração. Ela só aflora quando depositamos nosso destino nas mãos do Senhor. Como é difícil o homo sapiens aceitar esta postura. Ele quer provas cabais e insofismáveis do poder do Criador. Em sua incultura teológica ele pede uma ''prova'' para acreditar no Senhor e sempre propõe desafios: ''Se o senhor é realmente poderoso então resolva tal situação''. O Pai olha com piedade e sentencia: ''Filho, aonde está a humildade da qual eu venho lhe falando desde o começo dos tempos e mais especificamente, quando enviei o meu filho Jesus para lhe ensinar o que era amor e humildade. Quando Eu lhe dei o livre-arbítrio foi para que você pudesse discernir entre o bem e o mal. Mas, infelizmente, você ainda não aprendeu; a ganância tolda-lhe a visão''.
Acreditar em Deus - ter fé - é uma experiência mágica que vem com um longo aprendizado. Para isso é necessário que em posição genuflexa peçamos a Deus que nos mostre o caminho. É de bom alvitre que aceitemos os ensinamentos divinos, como fez o apóstolo Paulo, que perseguia os cristãos e, ao seu bel-prazer, encarcerava-os e também não se importava se alguém os apedrejassem até a morte, como ocorreu com Estevão. Um dia, chamado pelo Senhor, abriu seu coração e apesar de nunca ter andado com Cristo, aprendeu suas palavras e entregou-se à causa cristã.
Talvez hoje nos deixemos levar pelos meios eletrônicos onde nos são oferecidas graças e milagres aos borbotões, sem que para isso precisemos entregar nosso coração. Está na hora de aprendermos que quem faz milagre não é este ou aquele homem, mas sim Deus, que se liga ao nosso coração e permite que lhe peçamos diretamente de acordo com nosso merecimento.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI é bacharel em Teologia em Londrina

Somos os guardiães do planeta
Walmor Macarini


Existe sim uma poderosa ordem cósmica de esquerda que, nos nossos descuidos, tenta nos dominar, valendo-se do mecanismo das influências. Mas podemos nos livrar disso policiando nosso ego inferior, que é o portal por onde entram as correntes inqualificadas. Sentimentos exaltados baixam essa guarda. Fiquemos atentos à intuição e aos sinais de alerta, que não são atributos da personalidade mas do nosso Eu Superior, o Deus interno, fonte de todo o nosso poder.
Quando buscamos respostas nesse santuário interior elas nos chegam, e assim revertemos ou evitamos situações desagradáveis. Ao ativarmos esse poder (o Reino dentro de nós, como falou o sábio da Galileia) a luz se manifesta. Luz é informação, que nos liberta do obscurantismo, e informação atrai mais luz, formando-se assim uma reação em cadeia. Abrem-se dessa forma os caminhos da iluminação.
A ciência convencional bem direcionada nos municia dos meios para vivermos melhor, e a ciência espiritual nos conscientiza de que só estamos aqui temporariamente e que nosso destino glorioso é nos elevarmos, até inimagináveis dimensões. Unindo-se o conhecimento das duas ciências encontramos o ponto de harmonia.
É sempre oportuno lembrar que estamos neste planeta por nossa opção (tomada antes de aportarmos nesta paragem) e que viemos em exercício de carmas e missões. Este é um planeta-laboratório, mas não somos os experimentados e sim os experimentadores. Isto aniquila a crença equivocada de que somos punidos por castigos divinos. O que nos ocorre é o efeito de nossas próprias causas.
Somos conscientes de que este é um lugar de redenção e um redemoinho de grandes riscos. Paradoxal que pareça, viemos também para lutar pela melhoria do meio hostil por meio do qual estamos justamente aliviando pesos cármicos, porque somos os guardiães deste planeta e responsáveis pela sua preservação e elevação.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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