Uma das características do Estado do Paraná é a riqueza de sua diversidade regional. Os mais diferentes tipos de solo, vegetação, relevo e clima proporcionaram a vinda de diferentes povos em diferentes épocas de nossa história. Isto culminou na consolidação de polos de desenvolvimento regional típicos, dentro de um conjunto harmônico, constituindo-se assim o nosso Estado. Esta riqueza de experiências poderia ter sido mais considerada na composição da equipe do novo governo. É certo que a questão regional é apenas um critério para a escolha de ocupantes de cargos de governo. Mas, cá entre nós, Londrina não foi contemplada à altura de sua história e da sua pujança na equipe do atual governo do Estado.
O novo secretariado é quase uma transposição da administração municipal de Curitiba, motivando até uma brincadeira que ronda por aí, segundo a qual seu conhecimento sobre o Paraná vai até o Parque Barigui. Exageros à parte, a FOLHA divulgou nesses dias que lideranças de Londrina vão reclamar ao governador por ''uma decisão mais equânime sobre cargos estaduais na cidade e na região''. Ora, até para isso precisamos reclamar: por cargos secundários do governo estadual na cidade e na região? Que decadência! Será que Londrina não tem gente com competência técnica e ficha limpa para ocupar cargos no primeiro escalão da administração estadual? Aqui nós construímos um dos maiores polos de desenvolvimento do agronegócio do Brasil. Temos instituições de pesquisa, universidades (só para lembrar, no governo anterior dois secretários saíram da UEL), empresariado pujante, setor cultural reconhecido nacionalmente, profissionais liberais de reconhecida competência, lideranças políticas e comunitárias, etc.
Dirão alguns: apenas os critérios de regionalização, competência técnica e ética não são suficientes. Pode até ser. Há que se considerar também o critério político-eleitoral. Mas em Londrina o governador obteve uma das mais significativas vitórias eleitorais no Estado, com mais de 70% dos votos, maior que na capital! Dirão outros, mas a região foi contemplada com o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) na secretaria de Fazenda, uma das principais deste governo. É verdade, mas o deputado é um nome do Paraná, tem luz própria, é autoridade reconhecida nacionalmente na área, logo não está lá no governo do Estado por ser da nossa região.
Se tivermos que olhar de forma segmentada o conjunto dos critérios para escolher os secretários, seguramente o critério de regionalização seria mais sadio, comparando-se com outros que foram utilizados e noticiados pela imprensa. De fato, há um descompasso entre a pujança de Londrina, reconhecida nacionalmente, e sua baixa representatividade política no Estado. Foram-se os tempos de Nelson Maculan, Hosken de Novaes, José Richa, só para ficar em alguns nomes.
Além disso, verificando a situação do Legislativo a partir da última eleição, constata-se que Londrina elegeu somente um deputado estadual. Cascavel elegeu quatro. Tínhamos quatro deputados federais, perdemos dois: um se elegeu prefeito e o outro foi escolhido para ser secretário da Fazenda. Os dois senadores eleitos não são daqui. Os dois candidatos ao Senado mais votados por aqui, além de não se elegeram, são de Curitiba e Maringá.
O que está faltando para Londrina, com sua pujança e história de lutas, voltar a ter mais destaque no cenário político estadual, com maior representação política e contribuindo mais para administração pública no Paraná? Eis uma questão para nossa reflexão. Uma questão para os cientistas sociais das nossas universidades estudarem e se manifestarem, bem como para reflexão dos partidos políticos e organizações da sociedade civil.
OSWALDO CALZAVARA é engenheiro agrônomo em Londrina

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