1. O amor nos leva a sair de nós mesmos. Somos excêntricos porque o outro é o centro. Amor é esquecimento de si e promoção do outro e benevolência que consiste em querer o bem do próximo. Amor é alteridade, altruísmo, oblação de si.
2. O amor não faz acepção de pessoas, é incondicional, não espera recompensa, vantagens, nem se cansa. Sem amor tudo é difícil e pesado, inclusive um grão de areia. O amor é nossa verdadeira identidade.
3. A arte de amar se manifesta na ternura e na exigência. O amor sabe dizer não ao que é destrutivo pois o amor é exigente. Quem ama corrige. Sem amor crescemos agressivos, depressivos, possessivos, armados e desconfiados. O amor leva-nos a aprender com os erros e aceitar críticas e correções. Só as pessoas amadas mudam.
4. O amor salva o mundo, constrói a sociedade, prepara a eternidade. O amor é sem medida, não depende de cálculos porque é gratuito, generoso, dadivoso. Onde há amor não há fadiga, mas vigor e alegria. O amor é mais forte que a morte, jamais acabará e confere sentido à existência humana, livra-nos do vazio.
5. Amor é aceitação de si, promoção dos outros e requer proximidade, presença, partilha. É próprio do amor fazer sacrifícios para o bem dos outros. O amor é martirial porque é doação, intimidade, e encantamento pelo outro e pela vida. Amar é cuidar do amado.
6. O amor é tão oceânico, profundo e imenso que nos faz irmãos dos outros, servidores do próximo, misericordiosos e alegres. Por amor aceitamos ser os menores e os últimos, sem perder a cortesia, a fineza, a gentileza, a bondade. O amor é simples, nobre, belo e verdadeiro.
7. O primeiro passo do amor é a prática da justiça. As lutas pela justiça social e todo trabalho pastoral é uma ação amorosa, portanto, temos o amor social e o amor pastoral. O ardor missionário, a opção pelos pobres, a ação transformadora tem seu alicerce no amor, inclusive a política. O amor político é feito de honestidade, bem comum, zelo social.
8. Amar é cuidar da pessoa amada. Cuidar é dar atenção aos desejos e interesses dos outros, portanto, viver em permanente atenção e percepção pela realidade da pessoa amada. O cuidado se expressa pelo interesse, desvelo, zelo, solicitude e dedicação aos outros.
9. O amor é capaz de perdão e reconciliação. É possível amar os inimigos aceitar o diferente, praticar a tolerância e o ecumenismo. O amor está vinculado à compaixão. ''Um gesto de amor vale mais que toda a massa da matéria do universo'', diz Pascal. Amar é um desejo de aliança, de diálogo, de comunhão. A embriaguês do amor é sensata, não é romantismo, nem paixão.
10. Tão amplo é o amor que chegamos a amar quem não nos ama. É próprio do amor descer até o outro onde ele estiver e respeitar seu ritmo. O amor é incondicional e sem pretensões. O amor é belo, é fiel, é paciente, desinteressado, amigo da verdade, crê, espera, desculpa e tudo suporta. Existimos porque somos amados. O amor de Deus cura todas as nossas carências de amor.
11. Só os amados amam e mudam. São Bernardo escreveu uma poesia sobre o amor de Deus: ''Eu te dei tudo o que és e tens; Eu me doei todo a ti; Eu te aceito como tu és; Eu te amo mesmo se me rejeitais; deixa-me te amar''. Deixar-se amar, aceitar ser amado é o segredo para amar o próximo. O amor dá sentido e plenitude à vida.
12. O amor é tão simples e nobre, leve e profundo, essencial e necessário, a ponto de se tornar o maior mandamento. No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor. Três elementos compõem o amor: proximidade, encantamento e oblação de si. Pelo amor nos aproximamos nos encantamos e nos doamos.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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