Mais um ano chegou trazendo esperanças de dias melhores e de paz no planeta. Almejamos o amor no coração dos homens, transgredindo o dia a dia dos que têm o espírito da guerra imbricado na mente e no corpo, provocando desastres e mortes de centenas, porque não dizer de milhares de seres vivos. Queremos 2011 sem violência nas ruas e nos lares. Não queremos abandono de idosos, abusos contra crianças, maltrato às mulheres, descaso com índios.
É momento oportuno para repensarmos circunstâncias que nos afligiram no ano que se foi, avaliar caminhos e pensar em perspectivas de futuro com otimismo e perseverança. Por outro lado, para acalmar o coração, é hora também de pôr em prática, com mais intensidade, o exercício do perdão que requer uma atitude firme e persistente na busca da relevação.
Queremos que este ano seja recheado com valores significativos, no qual reine fraternidade entre as pessoas, respeito e compreensão entre pais e filhos, amor e cumplicidade entre irmãos, honestidade e solidariedade entre amigos.
Início de ano é período propício para fazer ressurgir sonhos antigos, elaborar projetos, reestruturar nossa vida. Por falar em sonhos, queremos ver acirrados os ânimos dos que escrevem e determinam as leis, a fim de dar-lhes a rigidez necessária para colocar o Brasil no rol de países sérios; queremos ver os corruptos atrás das grades nas prisões, com a rapidez e honradez dos que prezam o serviço e o dinheiro públicos; queremos punição severa para aqueles que praticam crimes hediondos. Os desejos são tantos, e sabemos que alguns sonhos para se tornarem realidade dependem tão somente da população estar engajada nos acontecimentos de seu bairro, cidade, Estado e país.
Em se tratando da minha classe - a dos professores -, queremos que a paz volte a reinar nas escolas, universidades e similares. Desejamos que os professores não percam, para além da tolerância, a própria vida nas esquinas perigosas da vida. Preocupa-nos a frequência e a intensidade das agressões que acabam por afastar ainda mais os jovens da carreira docente. Desejamos que as energias negativas e a maldade, quando presentes nos estudantes, se voltem contra os corruptos e inescrupulosos dirigentes deste país, numa imensa onda de protesto. Que falta nos fizeram os ''caras-pintadas'' nesses últimos oito anos de governo, não obstante as crises, os abusos de poder e os gritos isolados de revolta, aqui e acolá, sem um eco maior suficiente para dar um basta em tanta e tamanha roubalheira e corrupção, aliás, nunca vista na nossa história, desde épocas de espólio do pau-brasil.
Ante a escalada da corrupção não apenas os estudantes devem se mobilizar. É passada a hora de nós professores sairmos da situação de acuados e trancafiados em nossos espaços de trabalho e reagirmos, num âmbito coletivo de arranjo de ideias e de forças. Embora a sociedade clame por moralização, o papel do professor é ser protagonista na análise crítica de leis e documentos, na contraposição de números, entretanto, com ética, argumentação e lógica, num clima de respeito à divergência e sem radicalizar, conscientes de que precisamos travar uma luta ao lado do bem e da sociedade. Mais que isso, é preciso romper o vergonhoso silêncio que atrofia a liberdade de expressão e a nossa democracia.
Em 2011 vamos dar asas às nossas inquietações e imprimir novos mapas de discussão da realidade, guiados por apetite pela verdade e justiça. Ganha força a ideia de que a hora é agora, portanto, não deixe para amanhã a possibilidade de ser feliz, tampouco a busca de oportunidades para encontrar a sua felicidade. Nunca é demais se lembrar que a felicidade pode estar em pequenas mudanças de atitudes com gigantescas perspectivas de nos tornarmos seres melhores num mundo melhor.
MARIA APARECIDA VIVAN DE CARVALHO é professora da Universidade Estadual de Londrina

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