ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Dom Orlando Brandes 
As canções de Natal expressam a fé, a teologia, a esperança e a religiosidade popular. De um modo doce e cheio de ternura cantamos o que cremos. A música e a poesia são artes que levam a Deus e nos aproximam uns dos outros.
1. Noite Feliz. Este hino fixa nossos olhos e corações no Menino pobre nascido na estrebaria de Belém. ''Ele é nosso bem.'' São Paulo o chama de Bem Supremo. Ele passou fazendo o bem. Cantamos pedindo que o Menino durma em paz visto que uma multidão de crianças não tem esta graça. Paz em nossos lares desde o útero materno é o que aprendemos do Natal do Senhor.
Esta canção louva o coração afável de Jesus nosso irmão. Sim Ele manso e humilde de coração e ensina que os puros de coração verão a Deus. Jesus é tão afável que quis nascer nosso irmão. Somos seus consanguíneos, seus familiares, seus irmãos. O centro da mensagem de Jesus é que todos somos irmãos. Por isso o Natal inspira bondade, ternura, humanismo, alegria. É o espírito de Natal.
2. Natal em Belém. Muitos cantos de Natal se referem à cidade de Belém, ou seja, a cidade do pão. Jesus vem saciar nossas fomes. Natal é festa da solidariedade. O coração se dilata, as mãos se abrem e a consciência do escândalo da fome bate à nossa porta. Nossa casa seja Belém, lugar de partilha, espaço de abertura aos famintos. A fome mata hoje nas cidades Jesus ordenou aos seus discípulos: ''Daí-lhes vós mesmos de comer''. O Natal e fome não rimam. Vencer a fome é celebrar o Natal cada dia do ano.
3. Anjos e animais. Outras canções falam dos anjos e dos animais no presépio. Este é o mistério do nosso eu. Temos um pouco do anjo e um pouco do animal. Nossa vida é assim. Ora somos anjos, ora somos como animais. Assim é o ser humano, luz e trevas, animalidade e santidade. Jesus veio nos ensinar a ser humanos e a humanizar o mundo. Por isso, no presépio há o encontro do humano com o divino. Hoje é dia de a gente se encontrar com o anjo, o animal, o homem e o divino que nos habitam.
4. Pastores e magos. Diversas canções se referem aos que vão ao encontro de Jesus. Os pastores representam as pessoas de má fama até porque brigavam entre si por causa do rebanho. Os magos são representantes dos homens da ciência, do poder, do bem-estar. Grandes e pequenos são atraídos por Jesus. Ele é o salvador de todos os povos. Jesus é vida, caminho e verdade o salvador de toda humanidade. Corramos ao encontro de Jesus. Enfim, Deus não é supérfluo, não é estorvo, não é alheio a nós.
5. Maria e José. Quase todas as canções nos convidam a imitar Maria e José. Natal é festa da família. José é aquele pai sempre ao lado da esposa, cuidando do filho, carregando-o ao colo, defendendo-o na fuga para o Egito. Sempre ao lado da esposa e solidário com ela na perda dos filhos. Juntos e aflitos vão à procura do filho perdido. Maria, esposa, virgem, mãe e rainha, é aquela que acreditou na Palavra, encarna a Palavra, dá a luz ao Verbo da Vida, escuta e responde a Deus. Ela é a discípula de Jesus. Na escola de Maria, seremos seguidores de Jesus. Natal é festa da fé. Como são meigos os sinos do santo Natal, cantemos glória a Deus e paz na terra.
6. As canções de Natal dizem que enfeitamos a cidade, mas não temos caridade; que Natal é para renascer; que o Infinito entrou no tempo, O Máximo se fez mínimo; o divino se fez menino; o Forte se fez fraco; o Eterno entrou no tempo. Jesus esvaziou-se de sua glória, despojou-se, limitou-se, aniquilou-se, desceu para nos soerguer e elevar. Natal é estabelecer encontros com Deus, com os outros, conosco mesmos. Jesus se fez embrião, se fez carne, se fez pecado (2Cor 5,2), se fez escravo, se fez maldição para nos resgatar. Quanto amor. Aceitemos ser amados. Feliz Natal!
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


