Jesus versus Papai Noel
As crianças do terceiro milênio não têm medo de monstros, fantasmas ou bicho-papão. Brincam e matam nos videogames. Fadas, duendes, gnomos é tudo fantasia para elas. Só nós, adultos, que ainda não perdemos as ilusões. Cultivamos a tradição da mula sem-cabeça, do saci pererê, do sapo cururu. Só nós acreditamos em Papai Noel e tentamos não decepcionar as crianças com nossas crenças infantis. Elas sabem mais do que nós. Só os mais pequeninos é que conseguimos enganar, mas por pouco tempo.
Toda essa impostura do Papai Noel, de tradição católica e hoje adotada comercialmente também nos países capitalistas protestantes precisa de uma revisão histórica. O Natal só existe por causa de Jesus. E só por isso. Mesmo que essa festa seja sustentada e aumentada por motivos comerciais, precisamos recuperar o verdadeiro sentido desse evento sagrado para os cristãos. Não somos contra os presentes, a árvore de Natal, as bolas vermelhas, as ceias natalinas, as confraternizações familiares. Alguém já disse que ''o velhinho matou Jesus''. Honestamente reconheçamos essa verdade. Tudo gira em torno do Papai Noel. Quem nasceu foi Jesus. Ele é que merece presentes nesta data. A Ele devemos o presente da fé e da obediência a seus preceitos. Nós invertemos tudo. Chega de enganação. Quem dá presente é papai, mamãe, os avós, tios e amigos. As famílias devem se reunir para falar de Jesus. Só a Ele devemos homenagens, culto, adoração, obediência e festas.
No imaginário da criança restabeleçamos a verdade: Jesus veio para nos salvar de nossos pecados e nos abrir o caminho da salvação. Que Jesus expulse o velhinho dos nossos templos. Até isso foi invadido. Os presentes podem ser dados, a ceia natalina é um belo costume, a reunião familiar adquire seu verdadeiro sentido quando Jesus é o centro de tudo. Sempre podemos educar as crianças nessa visão natalina onde o amor, a paz, a justiça e a salvação são os grandes dons com que Jesus veio nos presentear. Natal é Jesus.
RENATO BERTIN é padre na paróquia Nossa Senhora Aparecida em Rolândia



Não só pedir a Deus mas ajudá-lo
Neste tempo de Natal e fim de ano vamos fazer o propósito de não apenas pedir a Deus, mas sobretudo ajudá-lo. Porque Deus não fará o mundo melhor se não o auxiliarmos. É nossa incumbência fazer isso. Dezembro é o mês em que afloram mais intensamente as inspirações, porque abrimos um pouco mais nosso portal de espiritualidade e por isso mais propensos à reflexão. Devemos então rever nosso comportamento, que tem sido mais de súplicas a Deus e aos nossos mentores dos planos elevados do que de cooperação com eles.
Sim, eles precisam da nossa ajuda, porque também têm missões com esta morada terrena e com seus coirmãos que a habitam, ou seja, conosco. Sem nossa participação eles pouco podem fazer, porque não podem intervir em nosso livre-arbítrio. O Criador nos deu liberdade plena e o poder do discernimento, embora pouco o exercitemos.
Estes momentos natalinos e de encerramento de mais um período e o início de outro são propícios para repensarmos a vida, porque o clima de paz e desarmamento das mentes nos introduz mais fundamente em nossa realidade espiritual. Deus nos ajuda, assim como nossos irmãos mais velhos dos planos superiores (notadamente Jesus, o mais lembrado, e todos os anjos, arcanjos e santos), mas também imploram por nosso auxílio na edificação do mundo melhor, e oram para que isso aconteça. Porque eles e nós somos iguais obreiros universais.
Todas as coisas já são e estão: nossos atributos divinos, nossa iluminação interior, a saúde, a paz, o dinheiro e os bens materiais de que necessitamos. Basta nos sintonizarmos serenamente com elas, saber que as possuímos por outorga de Deus e declará-las bem-vindas. Ajudar Deus é fazer as coisas retamente, cultivando sentimentos mais puros por nossos semelhantes e todos os seres vivos, e zelar por este abrigo planetário que nos foi concedido por dádiva divina.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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