Tsunami são ondas gigantes formadas por várias causas, geralmente maremotos, que vêm silenciosamente e causam enormes estragos na sua jusante ou onde terminam. Vários deles foram registrados recentemente e constatados seus efeitos. Embora as pessoas saibam que existem e tentem proteger-se, muitas vezes esse feito é impossível e não há êxito. Por analogia, na economia, muito se tem dito e visto sobre o enorme avanço dos produtos asiáticos no mundo, notadamente da China, que derrubam concorrentes e as consequências para o mundo ocidental de tal empreitada de países que também querem desenvolver-se.
Num primeiro momento vários empresários no mundo aliaram-se a esse modo de produção para tentar proteger seus negócios. Vê-se, como exemplo, a indústria calçadista no Rio Grande do Sul. Porém, essa estratégia não protegeu seus empregados. E é comum vermos produtos brasileiros com componentes chineses (exemplo: pneus). Isso em função da competitividade e da necessidade de se gerar lucro para manter o negócio.
Se tais coisas acontecem, e para poucos que estão estruturados rendem bons lucros, para muitos o efeito é contrário. A curto prazo tais decisões podem ser vistas como corretas, porém no longo prazo o que se pode esperar é a desestruturação de setores industriais e cadeias produtivas responsáveis pela manutenção do círculo de negócios e postos de trabalho, como de fato já tem acontecido.
Então, se existe um problema de tamanha magnitude, qual a solução? A meu ver as soluções para cada país que enfrenta o mesmo problema são diferentes, mas tem uma condição estrutural em comum que é estarem apoiando-se num sistema econômico que já provou estar desgastado e não ter base na sustentabilidade. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou com outras palavras esse fato. Neste foco, muitos empresários readequaram suas atividades frente às questões sociais atuais em função da mudança de paradigmas no mundo contemporâneo, de desigualdades humanas e empresariais. Para se ter um exemplo as empresas modernas, em determinados produtos, que se adequam a normas de gestão ambiental, por exemplo, não competem em preço com empresas chinesas que não se preocupam com esse ponto. Sem falar em outros aspectos como custo de mão de obra e qualidade de vida.
Mesmo a China (seu povo) paga por essa atitude. Haja vista a poluição naquele país. Mas para eles é um preço suportável. Querendo ou não. Porém, como qualquer nação que se responsabiliza por seu povo eles também estão procurando o desenvolvimento. Por exemplo, quando a China tinha aproximadamente 250 milhões de habitantes já produzia tijolos de excrementos humanos que posteriormente eram utilizados como adubo.
As empresas passaram não somente a explorar as riquezas naturais existentes, mas começaram a reciclar materiais e processos. E as pessoas a educar-se em relação a essas questões. Com o conhecimento de tais fatos e como consequência, as ações das pessoas tornam-se diferentes. Inicialmente reciclaram e por decorrência mudaram hábitos de consumo (o que é mais importante).
Para o Brasil, os caminhos do desenvolvimento podem ser outros, se o país tentar resolver seus problemas estruturais. Como qualquer ser humano que vive numa sociedade, à medida que problemas aparecem é natural tentar resolvê-los. E essa é uma atitude que o Brasil, embora aculturado por culturas desenvolvimentistas tem que seguir, e se possível antecipá-los para poder colher bons resultados a longo prazo. Para cada setor, seja da saúde, educação ou desenvolvimento as questões surgem e muitas vezes sua resposta correta não é encontrada de forma que seja operacional. Mas o importante é questionar-se e procurar por soluções.
MAURICIO KALAU GONZALES é administrador e professor na Universidade Estadual de Londrina

mockup