Nos últimos dias um documento reservado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) comprovou o que há muito tempo os empresários vinham dizendo Segundo o documento, o Brasil vive um preocupante processo de ''desindustrialização negativa'', que pode ameaçar as contas externas
Neste momento, o que vem acontecendo é uma substituição da produção local pelos importados, o que está desequilibrando as contas externas do país Muitos setores, incluindo o metalmecânico, estão aumentando as importações, pois, acredite se quiser, é mais barato comprar pronto e revender do que produzir aqui
Desta forma, a substituição da produção local pelos importados está desequilibrando as contas externas do país A cada dia, mais setores aumentam suas importações Antes, quem liderava os deficits na balança comercial era a indústria de alta tecnologia Hoje, o fenômeno se repete em setores menos sofisticados, como material de transporte, plástico e borracha, têxtil, aço e material elétrico
Esta situação já começa a refletir no bom andamento da economia brasileira, pois, é impossível que o Brasil se mantenha positivo no cenário internacional sem ter uma indústria importante e forte E os problemas não estão somente na carga tributária elevada e juros altos para as empresas nacionais O dólar americano barato também prejudica a competitividade das indústrias
Neste momento o governo está tentando modificar esta situação, mas, deveria ter nos escutado há anos Agora, é preciso tomar medidas mais concretas, pois, o dólar americano barato é bom para o turista e para o comerciante Para as indústrias, é péssimo O câmbio com valorização excessiva do real ameaça o desempenho das vendas das indústrias exportadoras e compromete os investimentos nacionais
Temos que entender que, deixando de produzir no Brasil e importando peças, brinquedos, produtos, ou o que seja de forma pronta, estamos deixando de criar empregos aqui
É preciso encontrar uma saída para esta situação Existem algumas medidas simples que podem auxiliar, tais como: separar o investimento produtivo do especulativo É óbvio que o especulativo (aquele que vem em um dia e volta no outro) deve ser supertaxado Já o produtivo, que vai gerar riquezas ao nosso país, deve ser tratado de uma maneira diferente, com as menores taxas possíveis
Dentro de um contexto geral e maior, é uma medida simples, que ajudaria a diminuir esta disparidade cambial
Já lidamos com altos impostos e encargos, infraestrutura inadequada e agora com as ineficiências nacionais sobre o câmbio Caso isso persista, centenas de empresas, por uma questão de sobrevivência, irão trocar seus produtos nacionais pelos importados, fabricando somente a identificação
Se isso ocorrer, estaremos contribuindo para a desindustrialização que, conforme o MDIC, tem como característica fundamental a perda relativa de dinamismo da indústria na geração de renda e emprego na economia O sinal de alerta já foi dado É preciso agir rápido para superarmos uma possível vulnerabilidade da atividade econômica do Brasil
NELSON ROBERTO HBNER é vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal/PR)

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