ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Claudia Taha 
Existe um ditado em inglês que diz: ''You can't teach an old dog new tricks'' (''Você não pode ensinar novos truques a um cachorro velho'' - tradução livre) O artigo ''Idiomas empresariais'', do professor Luiz Fernando Schibelbain (Espaço Aberto, 06/12), aponta, principalmente, a dificuldade do aluno adulto em aprender um idioma estrangeiro Focar esse aprendizado no resultado, nas situações e no vocabulário específico, na motivações externas - possibilidades de promoção, plano sucessório, ''international assignments'', pacote financeiro - como o autor afirma, não são garantias do sucesso desse aprendizado
Após 15 anos de experiência nesse segmento, podemos afirmar que, além dos pontos levantados pelo professor que privilegia resultados, o aluno adulto - ''an old dog'' - é sim capaz de aprender a se comunicar, interagindo, desenvolvendo estratégias específicas - ''new tricks'' - desde que também o processo de aprendizagem seja levado em consideração
Parece-nos um pouco simplista focar a aprendizagem do adulto somente em resultados, desconsiderando os princípios andragógicos (ensino voltado para adultos) que norteiam esse mesmo aprendizado Ou seja, saber o que e por que está aprendendo, planejar e se envolver no processo, usar imediatamente o conhecimento adquirido no seu dia a dia profissional ou pessoal (relevância) e, finalmente, conhecer quais são suas motivações internas e não somente as externas como cita o professor no seu artigo, são características fundamentais desse aprendizado
Além disso, criar um ambiente propício para que esse aprendizado aconteça é determinante O aprendiz adulto deve ser tratado de forma diferenciada, respeitando desde o ''lay-out'' da sala de aula, a escolha do material didático a ser trabalhado até a promoção de atividades que propiciem o chamado ''networking'' entre os alunos
Para estar inserido nesse mercado sem fronteiras, precisamos focar no ensino de competências subjacentes a língua e não somente na sua fluência oral e escrita Precisamos ensinar como desempenhar certas funções usando a língua como ferramenta e não como um fim em si mesma Por exemplo, durante uma Telecon o aluno precisa saber quando e como interromper o interlocutor, entender a outra cultura para que a comunicação seja eficaz, evitando mal-entendidos que possam prejudicar o andamento de transações comerciais importantes Essas competências são determinadas não pelo programa de idioma escolhido mas sim pela posição que o indivíduo ocupa dentro da organização Cabe então ao professor/escola de idioma ter a sensibilidade, ''expertise'' e conhecimento profundo desse contexto para determinar, alinhar e validar essas competências
Diante disso, destacamos pontos que consideramos essenciais para o sucesso desse aprendizado Primeiro, uma equipe altamente qualificada, preparada para definir, juntamente com o aluno, metas e métricas de resultado Segundo, uma abordagem que contemple os princípios andragógicos Terceiro, um contrato firmado entre professor/aluno que dentro dessa abordagem assumem o papel de ''coach/coachee'', assumindo a corresponsabilidade na aprendizagem E, finalmente, programas de aceleração de aprendizagem visando atender a necessidade do aluno em atingir seus objetivos rapidamente
Portanto, ''you can teach an old dog new tricks'' desde que respeitadas as condições que lhe são necessárias Como todos nós sabemos, esse ''old dog'' está vivendo cada vez mais, com mais qualidade de vida e que, se em algum momento da sua adolescência não valorizou a oportunidade de aprender um idioma estrangeiro, agora ele tem a chance real de contribuir na construção desse mundo globalizado pela utilização dos ''new tricks'' adquiridos
CLAUDIA TAHA é professora de inglês, diretora de escola e mestre em linguística aplicada pela PUC-SP em Londrina


