Por que não Enem para todos?
A Defensoria Pública da União em Minas Gerais pede que a Justiça Federal determine a aplicação de um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para todos os candidatos que tiveram problemas com os gabaritos invertidos, na prova do sábado, dia 6 de novembro A liminar que previa a reaplicação da prova a todos os candidatos que se sentiram lesados foi suspensa a pedido da Advocacia Geral da União O pedido responde à tese defendida pelo Ministério da Educação (MEC) de que um novo exame pode medir os candidatos, com a mesma régua, em diferentes momentos, por meio de diferentes instrumentos De todas as alternativas para solucionar as falhas ocorridas no Enem, essa se apresenta como aquela que menos compromete Se o princípio da isonomia não pode ser firmemente garantido, garante-se, ao menos, o direito subjetivo dos candidatos já lesados
O MEC resiste à proposta e defende a ideia de reaplicar a prova somente para alguns candidatos que tiveram problemas com a impressão do Caderno Amarelo, após análise, caso a caso Ora, se é fato que o Enem pode ser realizado por alguns sem prejuízo aos demais, que o exame pode ser aplicado várias vezes no ano, composto de diferentes itens, para candidatos que disputam as mesmas vagas, que o modelo é uma réplica do Scholastic Assessement Test (SAT) e do American College Test (ACT), por que, então, o embate? Por que não Enem para todos, a critério de cada candidato?
Não parece razoável o desgaste ao qual se propõe o governo federal, apoiado em argumentos inconsistentes e que colocam em xeque a convicção do próprio MEC sobre a Teoria da Resposta ao Item - modelo estatístico utilizado em testes psicométricos que se apresenta capaz de comparar diferentes pesos com a mesma medida O MEC precisa decidir se acredita nessa possibilidade e, nesse caso, reconsiderar sua posição, ou se está interessado em se manter na queda de braços, ciente de que suas alternativas não podem satisfatoriamente equacionar a questão
ELAINE MATEUS é professora universitária em Londrina



Ainda um cristão à moda antiga
Sou um cristão à moda antiga daqueles que ainda celebram o Menino Jesus no Natal Não me modernizei o suficiente para me render a Papai Noel Meu atraso ante os novos costumes, ainda me retém a simbologia de minha cidadezinha natal, onde na noite natalina as crianças costumavam (como ainda hoje) colocar sobre a mesa pratos com milho e capim para alimentar o burro, as vacas e ovelhas que testemunharam o célebre nascimento À meia-noite era ir à Missa do Galo e depois aguardar o dia amanhecer e ver os presentes que o Menino havia deixado nos pratos
Região catarinense de imigrantes italianos e alemães e tradicionais cristãos, ninguém por lá (como a maioria ainda hoje) cultuava a memória nórdica do Velhinho, do pinheirinho nevado e do trenó puxado por renas O soberano do Natal era mesmo o doce Menino da Judéia O coro da igreja e os fiéis entoavam ''Noite Feliz'' Não se conhecia alegria maior do que essa e tanta devoção Também não havia ceia de Natal, porque a data não era de fartar-se à mesa mas de reverenciar e deixar-se embalar pela magia daquela noite santa
Já vi criancinha chorar assustada ao ser colocada no colo do personagem de barbas brancas, mas nunca diante do bebê do presépio, talvez até pela candura da semelhança Noel (que também destronou Mercúrio, o deus do comércio) não tem culpa e certamente não deseja ocupar o lugar do notável aniversariante desta época do ano, e também Jesus adulto não se molesta - nas Alturas onde se encontra -, mas é triste assistir ao descaso a quem deveria ser o grande homenageado da noite sem igual de 24 de dezembro e que antecede o glorioso Dia de Natal
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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