ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de dezembro de 2010
José Sinésio Rodrigues 
Poluição luminosa é luz externa mal direcionada e mal utilizada Tal poluição, ao invés de iluminar apenas o chão, produz o brilho visto acima das cidades, pois é refletida em nuvens e partículas no ar e resulta do mau uso da iluminação Pouco divulgado, o excesso de luz leva a efeitos no meio ambiente, saúde, economia e observação de astros Entre os culpados por luz excessiva estão luminárias que lançam luz acima do horizonte, iluminação incorreta de estádios, outdoors, monumentos, fachadas e globos de luz
Impactos ambientais pela poluição luminosa incluem alteração na orientação de organismos em locais com iluminação alterada, com efeito na reprodução, migração e comunicação de espécies Animais diurnos passam a caçar à noite, o que leva a desequilíbrios em cadeias alimentares Aves desorientadas podem chocar-se contra paredes e fios Insetos giram em torno de lâmpadas deixando de polinizar plantas noturnas (que podem se extinguir naquela área), sendo ainda presas fáceis de seus predadores (o que também pode extinguir o inseto na área e desequilibrar cadeias alimentares) Certas plantas não florescem quando expostas à luz por grandes períodos, e outras podem florescer prematuramente
A saúde humana é afetada já que a exposição à luz durante o sono leva à queda da produção de melatonina na glândula pineal, aumentando o risco de câncer As maiores taxas do hormônio são produzidas em locais sem luminosidade Em ruas, motoristas e ciclistas têm a capacidade visual reduzida pela brusca mudança de luminosidade A poluição luminosa também obsta a visualização do céu noturno A maioria dos astros acaba sendo pouco ou nada visível Em 1986 a poluição luminosa atrapalhou a observação do cometa Halley Outros eventos astronômicos podem deixar de ser observados por conta do excesso de luminosidade noturna
A Astronomia é uma ciência que deslumbra com facilidade os jovens, servindo-lhes de porta de entrada para outras áreas, como a Química, Biologia, Física, Geologia, Geofísica, entre outras Se eventos deixam de ser observados no céu, perde-se parte do gosto pela Astronomia e distancia-se das outras ciências
A 27 Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, que ocorreu no Rio de Janeiro em 2009, lançou um apelo ''em defesa do céu noturno e pelo direito à luz das estrelas'' Tal resolução pede que o céu seja tratado como patrimônio natural, devendo assim ser preservado No caso de Londrina, a cidade foi agraciada com o maior telescópio do norte-paranaense, localizado no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Contudo, o equipamento tem sua eficiência grandemente afetada pela luminosidade em redor
Há ainda efeitos sobre a economia, com iluminação ineficiente levando a desperdício de recursos financeiros A conscientização para o planejamento desses sistemas leva à economia de eletricidade, visto que existe grande desperdício de energia pelo uso inadequado da iluminação das cidades No Brasil, a problemática da poluição luminosa raramente é lembrada e apenas duas cidades possuem leis para diminuir seus impactos: Campinas (desde 2001) e Caeté (MG), que em 1982 criou lei para diminuir o excesso de iluminação
Talvez esteja na hora de Londrina também ter uma lei destinada a diminuir a luminosidade excessiva, sobretudo junto a sítios de observação astronômica, áreas verdes e de preservação ambiental, algo possível substituindo-se a iluminação ineficiente em áreas públicas e privadas Estudos de caso em vários países mostram que a troca dos sistemas de iluminação ineficientes e mal utilizados leva a retorno positivo no campo financeiro, ambiental e científico em médio prazo
JOSÉ SINÉSIO RODRIGUES é estudante de Geografia na Universidade Estadual de Londrina e coordenador da área de Astronáutica do Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina


