ESPAÇO ABERTO
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quarta-feira, 01 de dezembro de 2010
Valter Orsi 
Nos últimos anos temos percebido que o governo brasileiro trata o dinheiro público de forma, digamos, despreocupada A arrecadação de impostos bate recordes e mais recordes todos os meses Mas, na opinião dos governantes de plantão, este dinheiro - mais de R$ 1 trilhão até o mês de outubro - nunca é suficiente para resolver os problemas mais graves do país como o precário Sistema Único de Saúde (SUS), a educação que passa longe da qualidade necessária, da infraestrutura que atrapalha o desenvolvimento
Por outro lado, o governo federal nunca discute seriamente o enxugamento da máquina administrativa O dinheiro arrecadado escoa por diversos ralos da máquina pública sem que perceba uma ação mais efetiva para estancar este processo É por isto que a discussão da possível volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) irrita tanto
A contribuição, que de contribuição não tinha nada, durou mais de 10 anos Começou com o discurso de que era para resolver de vez os problemas da saúde Não só não resolveu como vemos que, em alguns casos, até piorou
Mas não é só, boa parte do dinheiro passou a ser usado para tapar buracos provocados pela má gestão E, para quem não se lembra, em 2007, quando finalmente este imposto infame foi derrubado pelo Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aumentou o porcentual cobrado no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e não houve queda de arrecadação Ao contrário, na época o próprio Mantega anunciou que houve aumento
É por isso que quando a presidente eleita Dilma Rousseff, pouco sutilmente - vários governadores aliados ao governo defenderam a volta do imposto -, colocou em pauta a volta da CPMF, provocou tanta revolta no meio empresarial Primeiro porque durante toda a campanha eleitoral e com mais evidência nos debates televisivos ela se comprometeu a promover a Reforma Tributária e baixar os impostos
É lamentável, mas a única conclusão possível é que o palanque se tornou um palco de mentiras para enganar o eleitor e se eleger, sem respeito pelos compromissos assumidos
O fato é que ninguém aguenta mais pagar tantos impostos Cada centavo que o governo cobra a mais do contribuinte, é dinheiro que deixa de circular no mercado É dinheiro que deixa de ser investido em tecnologia, novos processos produtivos, capacitação profissional, melhora da mão de obra Traduzindo, estamos deixando de ser competitivos E quando isto acontece, os produtos deixam de ser fabricados aqui para gerarem mão de obra em países onde o governo não estrangula tanto os empresários
A consequência direta é que, além da perda de postos de trabalho no Brasil, a nossa economia dá sinais evidentes de desindustrialização Muitas indústrias brasileiras que não estão mais conseguindo competir no mercado estão comprando produtos já prontos e apenas colocando sua marca para então revendê-los Isso vai provocar uma defasagem enorme nos parques industriais instalados o que demandará muito tempo para ser reestruturado no futuro
É por isso que o Sindimetal de Londrina e várias outras entidades empresariais estão arregaçando as mangas para impedir que o governo crie mais um imposto Não dá mais para aguentar O governo precisa reduzir seus custos e não aumentar os nossos
VALTER ORSI é presidente do Sindimetal de Londrina


