ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Sueli Galhardi 
Em 25 de novembro de 1960, as irmãs Patria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, que militavam contra a repressão do ditador Trujillo na República Dominicana, foram brutalmente assassinadas pelo exército do país O impacto causado pela morte das ''mariposas'', como eram conhecidas pelos companheiros de militância, provocou um verdadeiro rechaço da comunidade internacional e acelerou a queda de Trujillo Em 1981, durante o I Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado em Bogotá, na Colômbia, a data em que houve esse assassinato foi instituída como o Dia Internacional de Não Violência Contra a Mulher
A vulnerabilidade das mulheres expressa nesse crime - e em tantos outros que se tem notícia na História - tornou-se uma preocupação fundamental dos movimentos sociais, especialmente do movimento de mulheres em meados da década de 1970 Porém, a maioria dos crimes contra as mulheres não tem repercussão porque acontece às portas fechadas, no âmbito do seu lar, praticada por seus companheiros
A violência doméstica é um crime que envergonha a vítima, pois, em muitas situações, o agressor responsabiliza a mulher fazendo-a sentir-se culpada pela agressão O sentimento de traição também é comum entre mulheres que vivenciam essa situação, pois, é comum que a cada episódio de violência a mulher ceda aos pedidos de perdão do agressor diante das promessas dele de não repetir este tipo de comportamento Essas situações levam muitas mulheres a não buscar ajuda mantendo-as no ciclo da violência
Lembramos que a violência contra a mulher é uma violação dos direitos humanos que aflige todas as sociedades e tem uma implicação social, pois afeta o bem-estar e compromete o desenvolvimento pessoal e a autoestima das mulheres Trata-se de uma relação pautada na submissão da mulher ao poder, privilégios e controle masculino
Celebrar o dia 25 de novembro é muito significativo para a Secretaria Municipal da Mulher, para o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e para toda sociedade, pois se trata de uma data de luta para o enfrentamento à violência doméstica e familiar Em Londrina, em comemoração a esta data tão importante para as mulheres, lançamos neste ano a campanha municipal de Enfrentamento a Violência Contra a Mulher com o tema ''Um novo tempo: mulheres rompendo com a violência doméstica'', pois acreditamos que não basta somente evidenciar números de violência contra a mulher, mas também destacar como a mulher pode superar a situação vivenciada procurando ajuda junto à rede especializada de atendimento Em 17 anos de funcionamento do Centro de Atendimento à Mulher (CAM), fomos testemunhas de inúmeros casos de mulheres que compartilharam conosco suas experiências de violência doméstica, enfrentaram seus medos e hoje escrevem uma nova história para suas vidas
A criação da Vara especializada Maria da Penha, em outubro último, vem fortalecer esse trabalho, sendo mais um mecanismo de efetivação dos direitos conquistados Mais do que trabalharmos contra a violência, o que nos motiva é acompanhar os casos de superação e ver que toda a luta do movimento de mulheres pela criação de mecanismos legais e serviços especializados valeu a pena Para trabalharmos o tema da campanha deste ano, programamos uma semana de oficinas e capacitações envolvendo diversos segmentos da sociedade e convidamos a população londrinense a participar dessa celebração por uma vida sem violência, pois uma vida sem violência é um direito de todas as mulheres
SUELI GALHARDI é secretária Municipal da Mulher em Londrina


