ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Roger D Colacios 
A vitória de Dilma Rousseff nas urnas representou uma grande derrota para a centro-direita brasileira Não pelo fato da diferença de votos ficar em 12% entre um candidato e outro Mas pela demonstrada incapacidade dessa parcela da ''oposição'' em aproveitar a campanha para apresentar propostas que fossem pertinentes aos eleitores A campanha de José Serra para presidente também revelou a dificuldade da centro-direita em se organizar numa situação desfavorável eleitoralmente, embora tenha mantido governos estaduais importantes, como São Paulo e Minas Gerais
O foco voltado para a falta de experiência de Dilma, a corrupção escancarada durante o governo petista e a presença massiva de Lula como garoto-propaganda da candidata, praticamente ocupou todos os espaços na campanha tucana
Falta de experiência a Dilma? Lula apenas tinha como experiência o cargo de deputado federal em 1986, antes de ser presidente Corrupção no governo? Durante o período FHC os escândalos eram apenas melhor contornados
Lula como cabo eleitoral de Dilma? Ele acabou representando mais que isso: representou para os eleitores o conjunto de propostas da candidata, pois sua presença significava a continuidade de um projeto político, o mesmo que direcionou o país nos últimos 8 anos
O PSDB acreditou que ser oposição seria simplesmente fazer críticas à situação, sejam elas quais forem, sem que estas fossem balizadas pela objetividade e a contraposição de propostas e formas de governo
Ao final das eleições, como poderemos ver, o PSDB e aliados irão culpar e justificar sua derrota nas urnas por todos os motivos possíveis, desde utilização massiva da máquina estatal pró-Dilma até os institutos de pesquisa que sempre mostraram pesquisas favoráveis à candidata petista
Uma cortina de fumaça lançada para que sua base aliada, seus próprios membros e seus eleitores não vejam que a centro-direta oposicionista se apresentou como inapta politicamente quando a situação eleitoral lhe é desfavorável
Uma campanha que primou pelo sensacionalismo, que não soube conquistar eleitores pelas propostas, pois não apresentou nenhuma significativa, apenas indicava aquilo que Serra fez enquanto governador de São Paulo, algo por si só muito complicado para ser considerado como uma vantagem de campanha Não construiu uma imagem de candidato, era uma colcha de retalhos que crescia cada vez que a opinião pública se interessava por tal ou qual assunto Foi verde, quando queria os votos dos ecologistas e do PV ou mesmo se revelou um religioso fervoroso no momento em que o aborto estava em pauta
No fim das contas a extrema concentração na campanha presidencial levou o PSDB se tornar minoria na Câmara Federal e no Senado Deveriam se espelhar em Marina Silva que, mesmo sendo derrotada no primeiro turno, podemos considerar como vitoriosa, pois atingiu uma parcela significativa do eleitorado, apresentando propostas e discutindo formas de governo
Deveriam também fazer como fez o PT e suas derrotas no final da década de 80 e ao longo dos anos 90 e aprender com seus erros, aprender a ser oposição e assim quem sabe, numa próxima eleição presidencial, poderem se considerar como outra proposta de governo
ROGER D COLACIOS é historiador e doutorando em História Social pela USP


