Uma expressão popular alude que ''cada povo tem o governo que merece''. A origem dessa secular frase credita-se ao filósofo francês Joseph De Maistre (1753-1821), que além de crítico da revolução francesa, era forte inimigo das repúblicas, mas contumaz defensor das monarquias.
No fundo, a expressão não critica os maus governos, mas sim aos responsáveis pela eleição de seus representantes. Por isso, cabe com perfeição aos regimes escolhidos pelo voto popular. Esse também é um reflexo da democracia: a escolha do mais votado para governar o seu povo.
Por outro lado, há controvérsias nos bastidores e debates e informações precisam ganhar mais velocidade de esclarecimento, pois afinal de contas nosso país é muito grande e sua extensão territorial nem sempre permite conhecer particularidades de determinadas regiões. É, por isso, que os representantes precisam ser distritais, escolhidos e bem votados. Esse retrato ainda não existe.
Por essa e por outras que, no Brasil, um pleito eleitoral está longe de ser uma vontade popular coerente e segura. Muito pelo contrário. Nos anos que vivíamos a ditadura tínhamos os prós e contras. Hoje há uma infinidade de arranjos e cúmplices que fazem das eleições as garantias de dinheiro fácil, poder, favores e aglutinação de partidos que esquecem suas identidades e ideologias. Acordos escusos para se planejar já as próximas eleições. Pouca criação de projetos que realmente melhorem as condições de determinadas populações, especificamente no Norte e Nordeste do país. Quem conhece sabe.
Durante anos estamos assistindo e ouvindo candidatos prometerem as melhorias para a população nordestina, por exemplo. Exceto pela parte litorânea onde se hospeda em hotéis de luxo e se come muito camarão, nas regiões do interior do Nordeste ainda pairam a miséria e o esquecimento. Muita pobreza ainda permeia famílias. Não há orientação médica para controle de natalidade; não há política em centros de vivência para longevidade humana; não há água encanada e tratada em muitas localidades; não há saneamento básico e crianças ainda morrem de verminose.
Vive-se da expectativa de programas de casas populares, mas ainda há muita terra seca e um povo que deveria ter mais avidez para melhorar a qualidade de vida de forma plena. Agora, durante as eleições há propostas de se fazer até ferrovias. Vão ligar o que para onde? E as estradas intermináveis nos solos ácidos? Muitas escolas ainda sucumbem aos bichos-barbeiros, pois a maioria delas foi erguida com barro e suor. Em locais longínquos professoras ainda vão a cavalo ou de carroça para ministrar aulas. A população inocente revive a expectativa do aprendizado, sem saber direito que o alfabeto é muito mais do que simples letrinhas.
Mas tudo bem. Fica tudo para a próxima eleição. E o sentimento da esperança do povo renasce em todos os anos eleitorais. E os discursos do falso otimismo continuarão. Que coisa triste. Viver anos a fio sempre na espera, nunca na iniciativa de mudar e melhorar. Essa inércia popular, a ausência de honestidade governamental e a falta de compromisso da classe política nordestina é que tem fomentado uma nova máxima: cada governo tem o povo que merece.
WILMAR MARÇAL é professor universitário em Londrina

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