ESPAÇO ABERTO
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terça-feira, 09 de novembro de 2010
Paulo Varela Sendin 
A divulgação dos resultados, mesmo preliminares, do Censo 2010 já deu início a uma grande celeuma em torno da ''colocação'' de Londrina como a terceira cidade do Sul do Brasil. Parece haver uma consternação geral por Joinville ter ultrapassado Londrina, como se estivéssemos em uma corrida para ver quem é o maior.
De minha parte, tendo nascido e morado muito tempo na ''maior cidade do país'' (São Paulo), não vejo vantagem nenhuma em residir em cidades muito grandes. O futuro está nas cidades médias e não nas megalópoles. E uma cidade média deve ter algo em torno dos 500 mil habitantes. Se esse ''algo em torno'' for 350 mil ou 600 mil é absolutamente irrelevante.
A cidade precisa ser de um porte que justifique a presença de uma boa infraestrutura de serviços e não ser tão grande que a torne inabitável por problemas de trânsito, meio ambiente deteriorado, criminalidade, etc. Por isso, considero que Londrina está no tamanho ''ideal'': nem muito grande, nem muito pequena.
E se o IBGE ''descobriu'' que Londrina tem 493 mil habitantes e não 510 mil, não vejo por que isso deva preocupar a população ou as autoridades londrinenses. Essa ''perda'' é, em números redondos, de pouco mais de 3%. Por coincidência, as estimativas preliminares do IBGE revelam uma perda semelhante para o Brasil como um todo.
Assim, mesmo a possível redução no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) pode ser inexistente ou irrelevante, já que o total de habitantes do país também é menor do que se projetava.
Por outro lado, ao se comparar Londrina com outras cidades que não tiveram ''perdas'', mas sim ''aumentos'' na população, o que teremos é algum ganho (embora pequeno) em indicadores econômicos e sociais que são referenciados ao tamanho da população. No caso de Londrina, com a redução da base populacional, o PIB per capita, por exemplo, deverá ''crescer'' cerca de 3%. O mesmo vale para todos os indicadores positivos que são calculados por habitante.
É claro que os indicadores ''negativos'' serão ampliados. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes vai crescer um pouco em Londrina e cair um pouco em Maringá, com base nos novos números divulgados pelo IBGE. O que mostra que esses indicadores, como o nome diz, são ''indicadores'', ou seja, embora imprescindíveis para ações de planejamento e gestão, o que importa no dia a dia de cada um é a ocorrência desses fatos e sua percepção pela população.
Não há motivos, portanto, de se ficar ''brigando'' com os números do Censo. A não ser que alguém tenha conhecimento de alguma falha concreta e significativa no processo de coleta de dados, o que duvido muito possa ter acontecido. O que precisamos fazer é aceitar os resultados preliminares e pressionar para que os dados definitivos e todas as informações detalhadas sejam urgentemente disponibilizadas. Assim, poderemos ter, pela primeira vez, informações que reflitam a realidade atual e não a situação de 4 ou 5 anos passados, como aconteceu com levantamentos anteriores.
Resumindo: para Londrina, o mais importante do Censo de 2010 é, sim, sua realização. A partir dele teremos dados muito mais confiáveis e atualizados sobre um grande número de aspectos da vida da cidade, o que possibilitará um planejamento mais adequado e a tomada de decisões com base em dados concretos e não de acordo com o ''achismo'' de cada um.
PAULO VARELA SENDIN é engenheiro agrônomo em Londrina


