Como o povo brasileiro gosta tanto de novelas, não podemos deixar de fazer o comparativo! Infelizmente, a campanha eleitoral de 2010 pareceu mais uma novela do que um processo democrático. Nesta campanha eleitoral vi de tudo, só não consegui presenciar a apresentação de projetos de governo consistentes, coerentes e aplicáveis. Tivemos uma campanha embasada em ''eu fiz e você deixou de fazer''. Nenhum dos candidatos ao poder transpareceu a verdade que defende. Simplesmente estavam confirmando o que os marqueteiros lhes determinavam para dizer e agir.
Houve momentos de grande expectativa, principalmente, quando a candidata que teve uma expressiva votação no primeiro turno delongava em tomar sua decisão de neutralidade e, por fim, acabou perdendo o momento histórico de sua carreira política, deixando que outra mulher aproveitasse a oportunidade e se posicionasse como nossa presidente. Os debates foram um verdadeiro palco de horrores, um ato de agressão aos ouvintes e eleitores, quando os candidatos não estavam se digladiando, respondiam perguntas formuladas pelos dirigentes de suas campanhas eleitorais. Uma campanha envolta em uma miríade de denúncias, processos e muita confusão. Uma explícita sucessão de agressões morais, verbais e até física.
Estamos em um país democrático, mas com certeza este segundo turno não refletiu a pureza de um processo democrático e sim externou as artimanhas para se alcançar ou permanecer no poder. O povo foi deixado de lado e o foco principal foi o adversário político, éramos apenas meros espectadores esperando o final, quando teríamos a chance de votar e eliminar um dos candidatos como em um ''reality show''.
Éramos números do IBGE que direcionavam a campanha dos candidatos, aliás, tristes números divulgados pela mídia: mais de 33% dos eleitores não terminaram nem o ensino fundamental, enquanto que menos de 4% fizeram curso superior. E para piorar, a maioria dos eleitores está entre 22 a 34 anos de idade. Se cruzarmos estes dados podemos conjeturar que nossos jovens estão bem aquém do nível educacional requerido no mercado de trabalho. Qual é a lição que tiramos disso tudo? A educação precisa ser valorizada em nosso país!
A novela das eleições chegou ao fim, com mocinhos não tão mocinhos e lobos vestidos de cordeirinhos! Foi uma grande tristeza acompanhar todo este processo de desrespeito ao povo brasileiro, mas chegamos ao final, não sei se feliz ou não, os próximos quatro anos nos dirão. Aos vencedores, parabéns! A novela termina e começa a vida real, é hora de refletir e buscar soluções para as questões que geram transformações sociais. Como um povo sem perspectiva de desenvolvimento educacional pode ser preparado para enfrentar o próximo pleito democrático e definir os rumos de nosso país?
A educação precisa ser prioridade de nossos dirigentes eleitos. O povo brasileiro merece que seus governantes oportunizem melhores condições de ensino em todo o território. E nós, sociedade civil, devemos estar atentos aos rumos políticos dos novos eleitos. Devemos requerer mudanças, compromisso de trabalho e acompanhar a realização de projetos. Além de sermos implacáveis contra a corrupção, a desonestidade e a indiferença social. Devemos cobrar um posicionamento severo do Poder Judiciário contra aqueles que utilizam a máquina pública para fins pessoais.
Nossa função não terminou quando acionamos um botão na urna eletrônica, apenas começou! Cabe a cada um de nós ficarmos atentos ao desenvolvimento das propostas feitas durante a campanha eleitoral. Um processo democrático se constrói com sujeitos que questionam, discutem e debatem suas opiniões para definir qual é o melhor caminho para a sociedade. Nossos governantes estão eleitos, agora temos que eleger nossa postura social!
CÉLIA FORNAZIERO é professora da Universidade Estadual de Londrina

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